Por estudo, trabalho ou até mesmo entretenimento, passar o dia diante das luzes de tablets ou aparelhos celulares virou rotina na vida da população, principalmente com a pandemia da covid-19 onde muitas atividades começaram a ser feitas exclusivamente a distância. No entanto, passar tanto tempo em frente ao celular pode trazer problemas à saúde, inclusive dos olhos. Uma pesquisa divulgada pela revista científica norte-americana Nature revelou que a luz azul emitida pela tela dos celulares e computadores pode acelerar o processo de degeneração ocular.
O estudo desenvolvido pela universidade de Toleto, nos Estados Unidos, concluiu que o excesso de exposição à luz azul, que antes era considerada inofensiva, pode gerar moléculas tóxicas capazes de acelerar o envelhecimento natural dos olhos. O neurocirurgião Fernando Gomes explica que embora sejam constantemente associados a problemas de vista, os equipamentos eletrônicos também podem fazer mal para a pele devido a chamada “luz azul”.
Fernando cita que “A luz azul faz parte do chamado ‘espectro de luz visível’ e é emitida tanto pelo sol quanto por fontes artificiais. Dependendo do tempo e da intensidade da exposição, a gente pode aumentar na pele o chamado ‘estresse oxidativo’, que contribui no envelhecimento intenso e também no surgimento de manchas”, disse.
O estresse oxidativo se refere à liberação de radicais livres e substâncias que podem estimular a melanina e levar a um processo de envelhecimento precoce. Fernando também explica que embora a luz azul seja chamada dessa forma, não significa necessariamente que a tela do aparelho esteja azul. A expressão é usada para explicar de forma simplificada a radiação presente nos produtos, que embora pareça inofensiva, é prejudicial à saúde e causa alteração nas células caso seja contínua. Nestes casos, o especialista recomenda que para proteger a pele o fundamental é usar filtro solar.
Gomes diz que mesmo em um ambiente fechado, a aplicação do protetor é importante e pode ter um papel fundamental na prevenção: “Os dermatologistas falam muito sobre isso e existe um motivo. Sabemos da correlação entre o câncer de pele e os raios ultravioletas, e acaba sendo um grande aliado para quem trabalha em ambientes fechados e constantemente tem contato com esses eletrônicos. Ou seja, hoje em dia, praticamente todo mundo”, afirmou.
Já Maria Regina Xalita, professora na área de oftalmologia da Universidade de Brasília, explica que como essas tecnologias são parte do dia a dia, a recomendação é tentar minimizar os danos. Um exemplo dado pela especialista é que a cada uma hora de uso contínuo, a pessoa desvie o olhar para outro ponto do ambiente de trabalho por um minuto ou levantar por alguns minutos, o que ajuda a relaxar a musculatura que faz o foco de perto e de toda a pele da área dos olhos.
Para evitar problemas nos olhos, os especialistas citam que é possível fazer óculos com lentes que filtram a luz azul, mesmo que a pessoa não tenha nenhum grau. Já para algum sinal diferente na pele após o uso prolongado como manchas ou melasma, é importante procurar um profissional da dermatologia para fazer o tratamento adequado.