Variante é um termo utilizado para fazer referência às alterações genéticas que foram identificadas num determinado agente infeccioso, que podem fazer com que tenha maior capacidade de infecção e/ou transmissão, assim como maior resistência à ação do sistema imunológico, por exemplo.
As variantes são mais comuns de acontecerem em vírus, já que o material genético é, na sua maioria, constituído por RNA, que é menos estável que o DNA e que, por isso, tem maior probabilidade de sofrer alterações ao longo do tempo.
De forma geral, o que se sabe até ao momento é que as variantes da COVID-19 são, de fato, mais fáceis de transmitir, mas ainda não existem evidências que mostrem que as variantes possam causar casos mais graves da doença. No entanto, são ainda necessários mais estudos que avaliem o comportamento dessas variantes e seus efeitos no organismo.

Principais variantes da COVID-19
Atualmente as principais variantes da COVID-19 conhecidas são:
1. Variante do Reino Unido (Alfa ou B.1.1.7)
A variante do Reino Unido, também conhecida por variante alfa ou variante B.1.1.7, foi primeiramente identificada em setembro de 2020, tendo sido verificada a presença de 17 mutações em relação ao coronavírus “original”. Dentre essas 17 mutações, 8 estão relacionadas com a proteína S, que é a proteína presente na superfície do vírus e que permite que se ligue às células humanas, resultando na infecção.
O que significa: como consequência das mutações, a variante do Reino Unido consegue se ligar melhor às células humanas, dificultando trabalho do sistema imune para “quebrar” essa ligação, o que faz com que qualquer pessoa que entre em contato com esta variante tenha maiores chances de ficar doente do que com a variante “original”. Além disso, como esta variante se espalhou muito rápido pelo Reino Unido, também se considera que tem maior capacidade de transmissão.
É mais grave? Alguns estudos demonstraram que a infecção com esta variante poderia estar relacionada com maior taxa de hospitalização e mortalidade, no entanto essa relação também poderia ser explicada pelo grande aumento do número de casos em pouco tempo, o que acabou sobrecarregando o sistema de saúde, atrasando o início do tratamento e medidas de suporte. Dessa forma, são necessários mais estudos para entender a real gravidade desta variante.
2. Variante da África do Sul (Beta ou B.1.351 ou 501Y.V2)
A variante da África do Sul, também conhecida como variante beta ou variante B.1.351 ou 501Y.V2, foi primeiramente identificada em outubro de 2020 e, assim como a variante do Reino Unido, apresenta também algumas mutações na proteína S, o que faz com que o vírus se melhor às células humanas, resultando em infecção.
O que significa: esta variante apresenta maior transmissibilidade e é capaz de diminuir a ação dos anticorpos, o que dificulta o tratamento e recuperação da pessoa.
É mais grave? Ainda não existem evidências científicas que indiquem que essa variante está relacionada com casos mais graves de COVID-19.
3. Variante Indiana (Delta ou B.1.617.1/ 2/ 3)
As variantes da Índia, conhecidas também por variante delta ou variante B.1.617.1, B.1.617.2 e B.1.617.3, foram identificadas entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2021 e também apresentam mutações na proteína S, favorecendo a infecção.
O que significa: assim como as outras variantes, as mutações da variante Indiana aumentam a capacidade de transmissão do vírus.
É mais grave? Foi verificado que a variante B.1.617.1 é capaz de escapar da atividade dos anticorpos, enquanto que as variáveis B.1.617.2 e B.1.617.3 são capazes de neutralizar a resposta imunológica do corpo, fazendo com que o vírus sobreviva mais facilmente no corpo, favorecendo a infecção. No entanto, são necessários mais estudos para entender se isso se traduz numa infecção mais grave por COVID-19.
4. Variante Brasileira (Gama ou P.1)
A variante brasileira, também conhecida como variante gama, variante de Manaus, variante P.1, B.1.1.28 ou 501Y.V3, foi primeiramente identificada em dezembro de 2020 e apresenta 17 mutações, sendo 12 localizadas na proteína S e 3 no receptor presente nessa proteína, o que aumenta a afinidade de ligação entre o vírus e as células humanas.
O que significa: a taxa de transmissibilidade da variante brasileira é de até 2,4 vezes superior à variante “original” do coronavírus.
É mais grave? Os principais estudos indicam que esta variante é até 61% mais capaz de neutralizar e escapar da atividade dos anticorpos circulantes no organismo contra o vírus, aumentando o risco de reinfecção, principalmente nos casos das pessoas que não foram imunizadas ou que apenas tomaram uma dose da vacina. Porém, ainda não se consegue comprovar que esta variante provoque uma infecção mais grave, sendo necessários mais estudos.
Recentemente, foi também identificada a variante P.1.2, que surgiu como consequência de uma mutação na variante de Manaus, a variante P.1. No entanto, ainda não existem estudos que indiquem se essa variante é mais letal ou mais transmissível.
5. Variantes da Califórnia (B.1427 e B.1429)
As variantes da Califórnia, conhecidas como variantes B.1427 e B.1429, também possuem mutações na proteína S, o que aumenta a ligação do vírus com as células humanas.
O que significa: a capacidade de transmissão do vírus é mais elevada e, consequentemente, existe maior risco de ficar infectado caso se esteja em contato com alguém ou alguma superfície contaminada.
É mais grave? Foi verificado que as variantes da Califórnia apresentam uma leve resistência ao tratamento para COVID-19 indicado nos Estados Unidos, no entanto ainda não se sabe qual o impacto dessa resistência na evolução e gravidade da doença.

Os sintomas das variantes são diferentes?
Até o momento não foram identificadas diferenças em termos de sintomas entre as variantes e, por isso, a única forma de identificar o tipo de variante responsável pela infecção é através de exame laboratorial molecular, em que é feita a identificação das mutações que são características de cada tipo de variante.
Assim, os sintomas de atenção continuam sendo:
- Tosse seca persistente;
- Cansaço excessivo;
- Febre acima de 38º C;
- Dor generalizada;
A identificação da variante é importante para a epidemiologia, pois ao saber as características do vírus mais circulante na região é possível estabelecer medidas de identificação do vírus, vigilância, prevenção e controle da infecção mais eficazes, que permitem diminuir o número de casos e até facilitar o tratamento.
As vacinas são eficazes contra as variantes?