Eu, aqui, ouvindo Caetano, Força Estranha, e pensando, meditando no som, embrenhando-me nas imagens caleidoscópicas ou nas espirais de emoções com que ele tece o cenário e anima o imaginário da trajetória humana em detalhes, minúcias, da construção dos caminhos diários em conexão com a curva das Eras, o micro e o macro embaralhados no Cosmos. Seu texto é a arte transmutando a vida em um concerto com afinação da sensibilidade, da empatia – a poesia transbordando direta dos dons das musas, as deusas da inspiração.
Eu também vi, Caetano. Vi o menino. Sim, e ele corria, sorria, jogava bola, lançava bola de gude, pulava sobre os troncos e poças das chuvas de verão, tinha sonhos e crescia. Crescia e imaginava um mundo onde meninos e meninas encontrariam um caminho florido e perfumado por flores, como deveria ser no planeta da Alegria, entre seres em harmonia.
Contrapondo-se a vida e a arte, oh, poeta da força e da leveza, você viu “homens brigando”. Eu ainda vejo, o menino também vê. Vê e se assombra sobre os escombros das lutas tolas por mais espaço, espaços que ao outro pertencem, por likes de soberba e indecência, onde as mentiras (fakes) traçam a decadência e determinam a miséria de homens e meninos. Lutas por impérios, reflexos de egos, vaidades e ódios soprando as dores dos vírus de guerras nos quartos, salas , jardins e cidades assoladas pelo medo, destruindo os sonhos dos meninos e meninas.
Então, pergunto-me, em conexão contigo, que força é esta que me faz escrever e persistir em traçar linhas?
Serão meus pés que não tirei do riacho ou meus olhos que fitam o Sol? O fato é que me encontro, antes que a manhã anoiteça e as energias feneçam , a insistir e persistir em crer na beleza que há no ser humano, no amor que há em mim