Encontramo-nos ao acaso na antessala dos consultórios e em alto e bom som como se fosse a minha mãe, disse para todo mundo escutar: “que história é essa que o senhor não quer mais me atender? Respondi-lhe: “oh, dona Amélia, me perdoe! Eu, realmente, estou muito ocupado, mas acalme-se; o que a senhora acha de meu filho, o médico Bruno Rebelo, atender a senhora?
“Ela fez “bico”. Disse eu: “ele agora é meu braço direito, o esquerdo, as pernas, só não é a cabeça…! Ela sorriu, dizendo: “deixe de prosa!”. Continuei: “vamos fazer assim; logo que ele estiver atendendo a senhora, eu vou lá com vocês. Tá bom assim?”
Ocupado, acabei esquecendo completamente da pobre mulher, porém terminada a sua consulta de quase uma hora, quando nos esbarramos de novo, na frente de todo mundo ela gritou: “O SENHOR JÁ ME PERDEU, VIU?!; O SEU FILHO É MUITO MELHOR DO QUE O SENHOR. Ele bonito, atencioso, cheiroso…”E os demais pacientes puseram-se a rir pelo seu jeito atirado.
E eu, como sou brincalhão, para não ser “desmoralizado” por ela na frente do povo, disse: “ah, velhinha sem vergonha; quer dizer que agora a senhora só gosta de brotinho?!”Aí que o povo gargalhou, inclusive ela mesmo, se divertindo com o nossa “briga”. E, vencida pelo agradável atendimento recebido, alegre, disse me abraçando com carinho: “doutor, eu nunca vou lhe abandonar; AGORA VOU FICAR COM OS DOIS!!!”. O povo se entreolhou com os olhos arregalados. “Agora só me falta essa”, eu disse; “a mulher virou bígama!”
(Mais gargalhada na antessala).
P.S. Claro que eu estava muito feliz como pai, orgulhoso pelo homem que construímos.
Médico e poeta