O trânsito das palavras, assim como o do conhecimento, passa por vias periféricas, na mente humana, se comparado ao passear das tradições. Em nações do porte brasileiro, enfrentar essa guerra desola o bravo combatente. Certo de sua missão, milita em uníssono linguajar compreendido só pelos seus, tribo de sua tribo.
Condição tribal que comunica qualquer questão, seja tabu ou não. Vez ou outra, deparamos com números sobre esses tabus. A razão do homem toma-se de atenção, embora desdenhe o contexto. Os números são sempre imponentes, operacionalizadores, eficazes e finalizadores. São cabais em contra-argumentos. Entre oradores, acabam sendo âncoras afáveis, até quando destoam da questão principal.
Os promotores de informações e correntes ideológicas mundiais, de forma astuciosa, orquestram bem a junção de um mote chocante com um número alarmante. Pronto! Arranjou-se um estopim, para defensores aflitos, contra uma causa que vai “salvar a humanidade”.
Entre os povos de um mesmo país, encontramos milhões de vítimas daquelas manipulações midiáticas. Os fatos existem, os percalços sociais também, mas o elo interpretativo afasta-os da expressão da verdade. E João 8:32 cabe nessa premissa. Quando a verdade de um sobrepujar a de muitos, a interpretação dos fatos pela autoridade intérprete deixa de representar a verdade, vez que a ela não pertence.
Conhece a verdade aquele que a vive, a cheira, a come, a toca e a ouve, rotineiramente. Compreende- a, de igual modo, aquele que, além do uso dos cinco sentidos, estuda suas expressões e a compreende. Mais a fundo, experiencia a verdade, em todas as suas dimensões, aquele que, além dos cinco sentidos e dos conhecimentos sobre ela, persegue aperfeiçoá-la. Este, sim, entende o que e quando cabe o processo de mudança gradativa da tal verdade: a cultura de seu povo.
Não poderiam ser números ou imposições, ornamentadas com boas doses de emoção, os únicos articuladores de transformações de modos de vida ou de sobrevivência de povoados escondidos das vistas civilizadas. Seguir mão única torna desumana a abordagem. A saúde, o ensino básico, a moradia, a sexualidade, culturalmente, tomam vieses inaceitáveis a qualquer europeu ultrassensível aos costumes de cá.
Os indígenas, a exemplo disso, dispõe a menina a possível coito, acasalamento, a partir da primeira menstruação. Normal nunca poderia ser. É cultural. O velho mundo não dorme ocupado com questões assim e o apreço da parte daqueles países dá-se com relação, também, ao nosso clima, as nossas florestas, as nossas famílias… Quanta disposição de energia e investimento, sob todas as formas, inclusive, de suas moedas, para “proteger” o que é nosso!
Precisamos exercitar, entre os nossos, tamanha empatia internacional. Os brasileiros carecem de formar ONGs e instalá-las naqueles países, disponibilizar ativistas ambientais e socioculturais daqui, a fim de expressar nossos pontos de vista sobre a cultura alheia, por aquelas bandas e entidades extraterritoriais.
Citações numéricas, conforme posto anteriormente, salvariam mulheres e crianças de crimes ou tradições questionáveis, entretanto, o que os números representam não passa de menções em palanques. Há pouco tempo, instituição de alto apreço mundial reduziu a algarismo os eventos de sequestro ou desaparecimento anual de mulheres, no mundo. Por conseguinte, nenhuma relevância foi dada a fator de imensa insegurança social.
Todavia, haja vista que rapto feminino resume, para eles, a dígitos, apenas, esperaríamos menos que isso, quando aqueles seres discursantes e atribulados cuidam de aldeias, em lugares ermos, com costumes questionáveis, como a dos caiçaras – miscigenação de indígenas, brancos e negros, cujos moradores mais próximos estão distantes vinte quilômetros ou mais. Ali, com o falecimento da mãe, tendo filhas mais velhas, o pai assume-as como seu par, dentro do que se aceita, nas culturas daqueles locais.
A lei nacional tipifica aquelas condutas e não solicita sugestões forasteiras voluntárias. De dimensões continentais, nossos povos seguem suas tradições e, a sua maneira, fundamentados em costumes, até mesmo, cristãos, por eles assim interpretados, quando trocam suas filhas por dotes.
O circuito das palavras, do conhecimento e das tradições, em cada tribo exprime seu modo de viver e alterar suas causas carece de experiência e não de mera observação. Análise impessoal de valores costumeiros deforma o pertencimento de quem com eles se identificar. Os números precisam surgir de participação daqueles que estão no conjunto ou são sua intersecção. Os demais são conjunto vazio e desafinam e desafiam as questões cabais daquelas comunidades.
Por falar em desafiar o defeso e os motivos culturais inquestionáveis, calculemos o preço dos “ingressos” que os brasileiros costumam pagar em dias de jogos da Copa: comércio, indústria e serviços parados! Continuemos destacando hábitos proibidos de gente longe da gente e silenciemos sobre os de cá.
A cultura de cá
