Apesar de todo o sucesso alcançado até hoje a China voltou os olhos alteração de rumos e promover uma enorme reforma econômica para mantê-lo e amplia-lo. Resolveu ampliar o que denominam de ‘socialismo com características chinesas’ promovendo a modernização da economia. Estão transformando uma nação de operários de fábrica em uma nação de engenheiros. Preparando-se para enfrentar, com todo o esforço, um mundo multimodal e não hegemônico. A Decisão chinesa se estende por 15 partes e 60 artigos, divididos em três seções principais, propondo mais de 300 reformas importantes.
O site Strategic Culture Foundation publicou, em 24 de julho de 2024, a matéria “A China atingiu a velocidade de escape: agora é imparável”, assinada por Pepe Escobar que transcrevo trechos.
“O século XXI está se configurando como o século asiático, eurasiano e chinês. O plenário de quatro dias, duas vezes por década, do Partido Comunista da China, realizado na semana passada em Pequim, para elaborar um roteiro econômico até 2029, foi um evento impressionante em mais de um sentido. Vamos começar com continuidade – e estabilidade. Não há dúvidas após o plenário de que Xi Dada, ou The Big Panda, permanecerá no comando até 2029 – o fim do atual impulso econômico de cinco anos. E se Xi estiver saudável o suficiente, ele permanecerá até 2035: o ano fatídico e transformador que marca a meta da China de exibir um PIB per capita de US$ 30.000, com grandes repercussões em todo o mundo.
Aqui vemos a confluência entre a progressão do ‘socialismo com características chinesas’ e os contornos definidores, se não de uma Pax Sinica, pelo menos do mundo multimodal e não hegemônico. O proverbial eixo Think Tankland/Sinofobia dos EUA tem sido histérico sobre a incapacidade da China de sustentar uma taxa de crescimento de 5% ao ano pelos próximos anos – a meta mais uma vez enfatizada no plenário.
Tudo é explicado aqui em termos quase didáticos, narrando o nascimento da ‘Decisão do Comitê Central do PCC sobre o aprofundamento abrangente das reformas para promover a modernização chinesa’. O que agora é conhecido coloquialmente em toda a China como ‘A Decisão’ se estende por 15 partes e 60 artigos, divididos em três seções principais, propondo mais de 300 reformas importantes.
‘The Decision’, na íntegra, ainda não foi publicado; apenas o roteiro de como os planejadores de Pequim chegaram lá. Claro que este não é um mero documento de política: é uma dissertação essencialmente no estilo do PCC, onde os detalhes das medidas econômicas e políticas são obscurecidos por nuvens de imagens e metáforas.
A maior parte da “Decisão” – 6 partes de um total de 13 – é sobre reforma econômica. A China vai conseguir? Claro que vai. Basta olhar para os precedentes. Em 1979, o Pequeno Timoneiro Deng Xiaoping começou a transformar uma nação de fazendeiros e camponeses em uma máquina bem lubrificada de trabalhadores industriais eficientes. Ao longo do caminho, o PIB per capita foi multiplicado por nada menos que 30 vezes. Agora, as ramificações do Made in China 2025 estão transformando uma nação de operários de fábrica em uma nação de engenheiros. De 10,5 milhões de graduados universitários por ano, um terço são engenheiros.
A ênfase em IA levou, entre outros exemplos, à indústria automobilística ser capaz de produzir um EV de US$ 9.000 em automação completa e obter lucro. A China já é líder global em EVs (BYD construindo plantas no Brasil, Tailândia, Turquia, Hungria), energia solar, drones, infraestrutura de telecomunicações (Huawei, ZTE), aço, construção naval – e em breve, também semicondutores (obrigado, sanções de Trump).
Enquanto o Hegemon gastou pelo menos US$ 7 trilhões — e contando — em Guerras Eternas invencíveis, a China está gastando US$ 1 trilhão em uma série de projetos da Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI) em todo o Sul Global: a ênfase está nos corredores de conectividade digital/transporte. Imperativos geoeconômicos entrelaçados com crescente influência geopolítica. Deixando de lado a histeria da hegemonia, o fato é que a economia chinesa crescerá incríveis US$ 1,7 trilhão somente em 2024. Isso é mais do que em todos os anos, exceto nos últimos três — por causa do efeito Covid.
E Pequim tomou emprestado exatamente zero yuan para esse crescimento. A economia dos EUA, em comparação, pode crescer em US$ 300 bilhões em 2024; mas Washington teve que tomar emprestado US$ 3,3 trilhões para que isso acontecesse. O pesquisador Geoff Roberts compilou uma lista muito útil do que a China está fazendo corretamente.
O comércio exterior de bens cresceu 6,1%, para US$ 2,9 trilhões, em relação ao ano anterior.
O superávit comercial é de US$ 85 bilhões, um aumento de 12% em relação a 2023.
O comércio da ASEAN aumentou 10,5%, para US$ 80 bilhões; a China é o principal parceiro comercial dos membros individuais da ASEAN.
A China teve uma safra recorde de 150 milhões de toneladas de grãos de cereais.
O setor de entregas movimentou 80 bilhões de encomendas, um aumento de 23% em relação ao ano anterior.
A SMIC é a segunda maior fundição do mundo, depois da TSMC de Taiwan.
A China Telecom pagou US$ 265 milhões por 23% da QuantumCTek, patenteadora do Micius, o primeiro satélite de comunicações quânticas do mundo.
A indústria aeroespacial comercial lançou 39% dos 26 foguetes da China.
Patentes de invenção aumentaram 43% para 524.000. A China é o primeiro país com 4 milhões de patentes de invenção nacionais em vigor.
Os 1.000 robotaxis da Baidu em Wuhan atingirão o ponto de equilíbrio no quarto trimestre e serão lucrativos no ano que vem.
A China tem 47% dos maiores talentos de IA do mundo. Ela adicionou nada menos que 2000 cursos de IA aos currículos de escolas e faculdades desde 2019.
Das instituições de classe mundial que também atuam como líderes em pesquisa, 7 em cada 10 são chinesas, incluindo a principal: a Academia Chinesa de Ciências, à frente de Harvard. O trem de alta velocidade que importa já saiu da estação. O século 21 está se moldando para ser o século asiático, eurasiano e chinês.”
Enquanto os detratores insistem em dizer que a China é um país comunista, para diminui-la na tentativa de exclui-la do concerto das nações, enquanto eles mesmos se autodenominam de Império do Meio e aplicam o socialismo com características chinesas, que chamo de capitalismo à moda chinesa, protege o capital privado e promove as empresas privadas que a transformaram no império econômico de hoje.
Lá na China, diferentemente daqui, se protege o capital privado e se promove a empresa privada, já aqui a nossa reforma econômica através de uma reforma tributária esdrúxula e açodada, se faz o contrário taxando o capital privado e as empresas privadas. Os chineses à duras penas aprenderam a lição valiosa que qualquer político ocidental pode entender, nas palavras do falecido líder soviético Yuri Andropov e que precisam ser aprendidas para que qualquer país possa crescer com bases sólidas ancoradas no seu próprio povo.
‘Não conhecemos a sociedade em que vivemos.’
A decisão chinesa
China promove reforma econômica preservando as empresas privadas.
