Ninguém diverge quando o assunto é educação: em qualquer lugar do planeta ela é considerada pilar de desenvolvimento. Uma educação de qualidade melhora tudo em qualquer sociedade. No Brasil, nossa Carta Política trata a educação como direito de todos e como dever do Estado e da família e que tem como escopo a tríplice dimensão do desenvolvimento da pessoa, o preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Nos debates políticos é sempre a pauta mais importante. Contudo, todos os governos, federal, estadual e municipal, tem deferido à educação, infelizmente, um tratamento de passageiro de segunda classe.
No atual Governo Federal a educação é assunto da resenha pós-trabalho, relegado à fofocas, próprio de quem tem outros afazeres mais importante. Os ministros escolhidos para conduzir uma pasta tão importante para a sociedade, bem revela a importância que atualmente a educação tem para a gestão federal. O Presidente Bolsonaro escolheu os Ministros da Educação como um treinador de time de pelada que não conhece o elenco e vai colocando o pupilo para jogar, conforme a sugestão da “galera” de seu entorno. O resultado é sempre pífio quando feito dessa maneira. Gestores mais preocupados com a pauta político-partidária do que propriamente com a agenda da educação.
Era natural que o Governo do Presidente Bolsonaro se inclinasse a escolher ministros de perfil com afinidade na área econômica, posto que a direita sempre conecta as tomadas de decisão na educação com sua proposta de desenvolvimento, alinhada, ainda, com os olhares dos economistas liberais que vem na educação uma força promotora do desenvolvimento. Weintraub, ministro recém defenestrado da pasta que tinha esse perfil por ser economista de formação, dedicou-se, com honrado zelo, a se preocupar mais com a “desideologização” das universidades do que alinhá-las com a ideia liberal de que a educação é a mola propulsora do desenvolvimento. O resultado é que a educação está à deriva, sem qualquer direção do Governo Federal.
É sabido que não é de hoje que se desmonta a educação de seus reais propósitos, com suas agendas que efetivamente geram resultados para o país, para colocá-la a serviço das ideologias partidárias. Ocorre que hoje o caso é mais grave. De fato, no momento, o atual governo só pensa em utilizar a educação para fazer uma faxina nas universidades e congêneres, expulsando comunistas e simpatizantes, reais ou imaginários, de seus comandos. Essa é a agenda clara do Governo Federal. Nada há além disso. Se nada há, temos um cenário de utilização da educação como trituradora de opositores políticos, subvertendo seu papel constitucional.
Enquanto o Banco Mundial orienta para uma ideia de educação como estratégia para que crianças e jovens adquiram as aptidões e conhecimento necessários para conseguir emprego produtivo no mercado de trabalho do século XXI, deixando de lado sua dimensão formativa, para alinhá-la a propósitos econômicos, aqui no Pindorama não há nada pensado sobre o assunto. A educação está em frangalhos, agonizando, sem investimento compatível com sua importância estratégica e com a ideia fixa de que é preciso primeiro fazer uma limpeza no ambiente para, só depois, não se sabe fazer o que. Tudo isso é triste, pior quando se constata que a educação no Brasil, atualmente, não se sabe pra onde vai, qual o seu destino, fazendo lembrar a estória de Alice no país das maravilhas de que “quando não se sabe pra onde ir, qualquer caminho serve”. Pobre educação!
Vicente Cruz
Presidente do Conselho de Administração, advogado sênior e Estrategista Chefe do IDAM (Instituto de Direito e Advocacia da Amazônia)