O malfadado indeferimento, no seu contexto técnico, não foi objeto dos debates tanto do governo quanto dos parlamentares. Deu-se mais ênfase a uma possível agenda política-ambiental para a negação da licença, como se o ato de indeferimento tivesse nascido de uma decisão discricionária do IBAMA, sem qualquer amparo em estudos técnicos. Também não se ouviu falar de numa interlocução institucional com a Petrobras, no caso, a requerente da licença. De igual forma, não se cogitou da criação de grupo de trabalho para construir um argumento técnico para enfrentamento da fundamentação do indeferimento. Essas lacunas trazem à tona que a indignação pública das autoridades não teve amparo numa refutação básica dos elementos técnicos que sustentaram a decisão. Ora, é preciso se pautar em estratégias, cujos eixos de ação se revelem minimamente viáveis para mudar a decisão do IBAMA.
A Petrobras – em caminho inverso das argumentações políticas feitas pelos amapaenses – após, primeiramente, fazer um enfrentamento cronológico-histórico das inconsistências apontadas no Parecer Técnico do IBAMA, depois, amparada em argumentações técnicas, postulou pela realização de uma Avaliação Pré-Operacional (APO), com o escopo de ser aferida a efetividade do Plano de Emergência e Proteção da Fauna, principal ponto de melhoria que sustentou o indeferimento do pedido e, ainda, se colocou à disposição “para compreender e atender todas as novas demandas ou preocupações que possam ter surgido em novo parecer.” Pelo que se observa – sem o agito dos debates políticos – esse é o caminho estratégico correto para viabilizar o empreendimento da Petrobras.
Assim – sem qualquer circunlóquio – é preciso que a rede política estadual faça um alinhamento com a PETROBRAS para reverter as inconsistências apontadas no Parecer Técnico do IBAMA, fundamento do ato de indeferimento. As indignações são aceitáveis como resposta pessoal e emocional diante de um empecilho tão desafiador para as pretensões do estado do Amapá com a exploração do petróleo na margem ocidental. Contudo, o caminho da razão, amparado com eficazes estudos que visualizem a resposta necessária ao problema, é o viés que deve ser usado para que o Amapá venha a degustar do resultado da exploração racional e sustentável de suas riquezas naturais. Como diria Belchior: “não estou interessado em nenhuma teoria (…) a minha alucinação é suportar o dia a dia, e o meu delírio é a experiência com coisas reais”