Diz, ainda, o eminente Prof. Dr. Daniel Chaves, com circunspecção acadêmica, “são duas as linhas de ação do ‘que fazer’ estratégico: 1) instrumentalizar o aparato institucional amapaense a receber, do ponto de vista tecnológico, desde ciência, tecnologia e inovação até dispositivos e infraestruturas, para que a exploração do petróleo, caso realmente, ocorra, lastreie a retenção local de conhecimento aplicado. O amapaense precisa participar do processo ativa e protagonicamente; 2) constituir o planejamento tático de retenção e distribuição inteligente dos dividendos dessa exploração levando em consideração as agendas socioambientais prioritárias do Estado. O amapaense precisa usufruir de forma correta dessas riquezas, que são gigantescas, mas são finitas e deverão deixar dignidade, soberania e olhar altivo para o futuro.” É uma visão que precisa ser observada pelos atores políticos envolvidos.
O ex-Secretário de Ciência e Tecnologia do Estado do Amapá, docente da Universidade Federal do Amapá e, atualmente, no Ministério da Ciência e Tecnologia, Prof. Dr. Rafael Pontes, bradou pela mobilização política e técnica e defendeu que “é fundamental um comitê de técnicos especialistas para produzir um relatório ao Governo do Estado do Amapá para que apresentem argumentos sólidos para a luta.” Diz, ainda, “o debate do petróleo é um ótimo caso de quíntupla hélice: meio ambiente, governo, academia, mercado e sociedade. É importante que as esferas de governo reúnam e liderem um GT de especialistas técnicos para discutir, ouvir os diversos setores e gerar um produto local que possa elucidar e dar voz ao relato da academia, alinhado aos interesses da sociedade, do mercado e do governo. Essa liderança e articulação governamental é fundamental para se possa construir caminhos para o desenvolvimento do Estado”, pontuou.
Como bem se observa, a academia, por seus ativos interlocutores, está ávida para participar do processo de construção de soluções inteligentes para essa questão. O Governo do Estado, na pessoa do governador Clécio Luís, e os municípios que, direta ou reflexamente, poderão receber os influxos desse empreendimento, também têm agitado bandeiras participativas. O prefeito Antônio Furlan, em audiência pública, destacou a importância da participação do município no eixo dos debates. O Deputado Acácio Favacho, em audiência de Comissão do Meio Ambiente, na Câmara dos Deputados, denominou esse fenômeno participativo, de construção de conectividade necessária para viabilizar esse projeto, postulando ações do governo federal nesse sentido. Portanto, as direções para a construção de estratégias eficientes para esse desiderato estão dadas, então, mãos à obra!