O consultor em gestão estratégica do setor público Marlus Carvalho, bel. em geografia e atualmente na Secretaria de Planejamento da Prefeitura de Santana, que já atuou em consultoria para empresa do setor petrolífero no mesmo bloco onde a Petrobras hoje almeja iniciar os trabalhos de pesquisa, alerta que o Governo do Estado do Pará, há mais de 10 anos, vem se preparando para oferecer condições mais vantajosas para as empresas que almejam essa exploração na bacia da foz do amazonas se instalarem e diz que o Estado do Amapá precisa, urgentemente, de ações estratégicas mais efetivas para enfrentar essa difícil concorrência. O Estado do Pará, segundo Marlus Carvalho, possui consolidadas estratégias institucionais e setoriais, articuladas com os stakeholders do setor privado que podem inviabilizar as pretensões do Amapá em absorver o impacto econômico dessa atividade de exploração petrolífera, sonho dos amapaenses.
De fato, após as certeiras respostas do Governo do Estado e da bancada federal contra o ato de indeferimento pelo IBAMA da licença ambiental para pesquisa no Bloco FZA-M-59 na margem equatorial, pouca coisa se fez de concreto para que o Amapá pudesse enfrentar o poderoso e articulado Estado do Pará para ser protagonista dos resultados da exploração do petróleo. Enquanto o Senador Jader Barbalho articula com o setorial da Petrobras um diálogo técnico em que oferece melhores condições para o empreendimento e o Governador Helder Barbalho reúne com o secretariado para apresentar propostas que se alinhem às necessidades da concessionária, por aqui, até o momento, não houve interlocução com a Petrobras nesse sentido, muito menos um estudo mínimo para apresentação de propostas que pudessem ser confrontadas com as apresentadas pelo Estado do Pará.
A advertência do consultor Marlus Carvalho de que é preciso ações estratégicas para duelar com o vizinho Estado do Pará precisa ter ressonância prática no Governo do Estado Amapá. As mobilizações iniciais, sem sombra de dúvida, foram eficazes para sintonizar as pautas ambientais do governo federal com as necessidades do povo da Amazônia. Contudo, é preciso agir com rapidez para que o competitivo Estado do Pará não ganhe essa concorrência de absorver os resultados econômicos da pretensa exploração de petróleo. Esse comodismo pode significar perdas irreparáveis para as pretensões de desenvolvimento do Estado do Amapá. O vizinho Estado do Pará é, na linguagem organizacional, um tubarão ultra agressivo, capaz de levar nosso pescado e nosso açaí para suas estatísticas de extrativismo elevando suas curvas de resultados no setor produtivo. Se o Estado do Amapá bobear, o petróleo terá o mesmo destino do pescado e do açaí. É hora de agir!