O inelegível ex-presidente Jair Bolsonaro, desde o início de sua carreira política, tem desafiado o Estado Democrático de Direito e a própria democracia com a defesa de pautas que agridem esses pilares de uma sociedade civilizada. Sempre defendeu a tortura, a prisão e a morte como métodos de combate aos seus adversários políticos, chegando a elogiar, publicamente e no recesso da Câmara dos Deputados, o Coronel do Exército Ustra, torturador da ditatura militar, condenado pela justiça brasileira por essas práticas hediondas. Quando assumiu a presidência da República em 2019, iniciou seu projeto político ditatorial desafiando as instituições para garantir sua permanência no poder de forma absoluta.
Atingida a primeira meta reversa da inelegibilidade, o ex-presidente agora caminha para concretizar sua segunda meta reversa que é ser preso pelas reiteradas condutas criminosas perpetradas durante o seu mandato. Os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, os quais estão sendo apurados em processo que tramita no STF, são consequência da mobilização feita pelo ex-presidente, durante todo seu mandato, alertando que era preciso fechar as instituições republicanas, em especial o STF, que, segundo ele, atrapalhava seu governo. Com a derrota nas urnas, o ex-presidente deixou suas viúvas mobilizadas, ocupando a frente do quarteis pedindo intervenção militar, num claro e inequívoco aceno a um golpe de estado, cuja culminância foi a tragédia de 8 de janeiro.
Na verdade, a verdadeira meta do projeto político do inelegível ex-presidente Jair Bolsonaro era dar um golpe de estado com o fechamento das instituições e concretizar sua permanência no poder com poderes absolutos, apoiado pelas Forças Armadas, instituindo uma ditatura. Para esse propósito, angariou a simpatia de alguns militares, colocando-os no aparelho do Estado, interveio na Polícia Federal e fez da Procuradoria Geral da República um órgão aliado. Inobstante seu empenho, demolindo, inclusive, valores democráticos das instituições envolvidas, seu projeto político ditatorial não logrou êxito, sendo derrotado nas urnas. A consequência natural do malogro desse repudiável intento político seria o seu banimento da vida política com a decretação da sua inelegibilidade e da sua prisão, como metas reversas de seu execrável propósito. O primeiro intento reverso de seu hediondo projeto político já foi atingido com a decretação de sua inelegibilidade por 8 anos. Resta o segundo.