Dentro desse prisma é fácil observar comportamentos de candidatos a cargos políticos que, longe de observar os estatutos dos partidos com seus correspectivos programas, buscam espaços partidários que estejam mais aptos a satisfazer sua pretensão pessoal. É uma contradição inaceitável visualizar os quadros políticos buscarem agasalhos onde não tem afinidade ideológica. Os políticos com mandato legislativo – em comportamentos avessos ao fortalecimento dos partidos como instituições soberanas – criam mecanismos para propiciar ajuntamentos macabros do ponto de vista ideológico. Coligações e federações são exemplos dessa maquinação inaceitável que abrigam os mais repudiáveis exemplos de como lesar o propósito legislativo constitucional de fazer dos partidos, entidades insubstituíveis para o propósito da saudável construção democrática.
Estamos a poucos meses das eleições e ainda se vê quadros favoritos para os diversos cargos a serem disputados, procurando um partido, como se procura uma loja de conveniência na madrugada, com o refinado gosto para refutar aquela que não lhe interessa no momento na chamada janela partidária. Esses comportamentos jogam na lama o ideário constitucional que quer políticos com identidade partidária. Não há como negar o crepúsculo dos partidos políticos como centro de interesses políticos. Sua degeneração, orientada por interesses estranhos aos escopos de sua criação, impõe um repensar sobre a atual utilidade de sua existência.
Se os partidos políticos experimentam o triste processo de seus ocasos no Brasil, deixando de ser a espinha medular dos interesses da sociedade na dimensão política, há de se pensar qual a saída para encontrar seu substituto como instrumento da democracia. A Profa. Dra. Maria Teresa Micfeli Kerbauy em sua obra Teoria dos Partidos Políticos: a discussão contemporânea, faz uma longa digressão sobre a origem e o atual estágio de desenvolvimento dos partidos diz que “uma questão importante em relação a bibliografia da ciência políticas sobre o tema diz respeito à importância ou não dos partidos políticos como as mais influentes organizações de mediação política do mundo moderno…porque passaram a existir controvérsias sobre sua importância no processo democrático.” Se as academias já tiram essas conclusões está na hora de dar o starte para um debate público responsável.