Segundo os estudiosos no assunto, os obstáculos de cunho históricos e culturais estariam na raiz do problema. De fato, singelo passeio na história observa-se, sem grande dificuldade, que antes as mulheres estavam condenadas a servirem as necessidades das tarefas domésticas e à educação dos filhos. Tais práticas encartaram-se na cultura e tradição das sociedades. Isso fez com que sequer se cogitasse da hipótese de ver as mulheres no topo das lideranças nas organizações. Seria uma afronta à moral vigente a ponto de condenar ao ostracismo aqueles que se aventurassem em admitir tamanho despautério.
Hoje, no entanto, a realidade é outra e não há recessos acadêmicos ou corporativos onde não se admita que os resultados da liderança feminina são, em regra, melhores que as lideranças masculinas. É a própria realidade fática que capta esse fenômeno. Tem-se que na liderança feminina pululam os atributos da sociabilidade, da cooperação, da multitarefa, da liderança horizontal, da humanidade e da maior predisposição às mudanças. Dentro de ambientes corporativos mais planos e interconectados, esses atributos soam como chaves indissociáveis do sucesso organizacional.
Hoje já não se discute mais se a liderança feminina traz ou não resultados extraordinários para as organizações. O debate é porque essa herança histórico-cultural de resistir à eficiência da liderança feminina ainda persiste em nosso tempo. As respostas são várias, mas nenhuma convence com racionalidade, tudo se reduz à constatação serena de que é preciso mais luta para que o empoderamento feminino seja uma ferramenta eficaz contra o fundamentalismo da cultura machista que persiste, mesmo diante de evidências irrefutáveis de seu anacronismo.
O resultado positivo nas gestões, como corolário do exercício da liderança feminina, é uma variável que precisa ser analisada em qualquer ambiente, público ou privado, a fim de orientar as escolhas e as tomadas de decisões. Seja numa assembleia de uma associação de bairro, num sindicato, num Conselho de Administração ou numa eleição popular é necessário levar em conta o perfil de gestor que apresenta os melhores resultados. Se for necessário, por imposição de se obter melhores resultados, que se opte pela liderança feminina, não há que se apoiar nos penduricalhos histórico-culturais para evitar o sucesso, afinal, o triunfo da eficiência é um postulado universal.
Vicente Cruz
Presidente do Conselho de Administração, advogado sênior e Estrategista Chefe do IDAM (Instituto de Direito e Advocacia da Amazônia)
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