O livro é um produto industrial, mas também é mais do que um simples produto, é um veículo de informações e uma das mais revolucionárias invenções do homem. Esse mesmo homem já sabia se expressar de outras formas, como através dos desenhos rupestres, nas paredes das cavernas. A sua história, porém, só pode ser registrada a partir da invenção da escrita, há cerca de 5 mil anos. Como não era capaz de guardar no cérebro de tudo que sabia, o homem aprendeu a escrever, a fim de armazenar tudo o que conhecia e passar todas as informações para as futuras gerações.
Há milhares de anos, a criação da escrita propiciou o nascimento do livro. Porém, antes mesmo que o homem pensasse em utilizar determinados materiais para escrever, como por exemplo: Fibras vegetais e tecidos, as bibliotecas da Antiguidade estavam repletas de textos gravados em tabuinhas de barro cozido. Eram os primeiros “livros”, depois progressivamente modificados até chegarem a ser feitos, em grande tiragem, de papel impresso, proporcionando facilidade de leitura e transporte. A escrita surgiu, portanto, para criar a História do homem, e o “livro” para armazená-la.
Na Idade Moderna, o alemão Johannes Gutenberg segurava um livro impresso pela tecnologia que revolucionou a escrita e a história da comunicação: a prensa de tipos móveis. A partir dessa invenção, a impressão em massa de materiais começou. Exatamente nessa época, pensadores e filósofos estudavam novas teorias e a prensa foi essencial para disseminação de novos conhecimentos. Rapidamente, mais pessoas tiveram acesso aos livros e à escrita. Por consequência, mais países adotaram a técnica de impressão e milhares de livros foram publicados nesse período.
A Contemporaneidade (período atual, que começou a partir da Revolução Francesa) e as Revoluções Industriais trouxeram muitas novidades tecnológicas. Fora a produção em larga escala de vários bens, inclusive os livros. Se a prensa de Gutenberg reduziu o custo de produção dos livros, as inovações oriundas do avanço da tecnologia diminuíram ainda mais. Com isso, deu-se início a era de grandes produções e dos best-sellers, conhecidos e vendidos até hoje. A leitura e a escrita foram cada vez mais democratizadas. Boa parte da população dos países tinha acesso a livros.
As revoluções tecnológicas não param de acontecer. Praticamente, todos os dias somos surpreendidos por novos aparelhos e seus lançamentos. Todas essas mudanças também afetaram os livros e, principalmente, os hábitos de leitura e escrita das pessoas. Hoje, é mais comum escrever e fazer rascunhos pelo computador do que numa folha de papel. Com o advento das tecnologias os livros com centenas de páginas puderam ser substituídos por folhas digitais. O virar a folha agora é clicar com os dedos.
A modernização dos livros também trouxe a acessibilidade para o universo da leitura. Além de livros digitais, hoje já existem também os áudios-livros. O conteúdo é lido por uma voz. Visto que, o sistema de leitura tátil, criado no século XIX por Louis Braille, está, cada vez mais, sendo substituído pelo sistema dois vox. Dessa forma, é possível incluir as pessoas deficientes visuais e estimulá-las a ler cada vez mais.
Podemos perceber que o conceito de livro é muito maior do que imaginamos. Seria mais propício dizer que livro é um lugar de armazenamento de informações, e deixar o seu formato para aqueles que fazem o armazenamento. Pois, desde a antiguidade várias formas de livros foram surgindo, das tabuinhas de barros, papiros, pergaminhos e papeis, até os formatos digitais. E no final das contas, quem decide o futuro dos livros é o leitor. Possivelmente teremos que nos acostumar com novas tecnologias e maneiras de se ler. Mas no fim, quanto mais lermos, mais livros serão escritos, sejam eles físicos ou digitais.
Ao que me é devido, sou incapaz de imaginar um mundo sem livros. (Jorge A. M. Maia)
Oh! Bendito o que semeia
Livros à mão cheia
E manda o povo pensar!
O livro, caindo n’alma
É germe – que faz a palma,
É chuva – que faz o mar!
Castro Alves
O livro traz a vantagem de a gente
poder estar só e ao mesmo tempo
acompanhado.
Mario Quintana
Nas páginas em branco
De um livro aberto, discreto
E querendo sorrir.
Há um amor escondido na alma
Que sai do peito, procurando por ti.
Jorge A. M. Maia