A cena é recorrente: são agentes púbicos e políticos, outrora incensados ou autointitulados “poderosos”, que saíram das páginas sociais para as policiais, geralmente, articulados e influentes, que durante anos ou décadas foram vistos e tidos como gente fina e de bem, avaliados ou condecorados como prestadores de “serviços relevantes para a sociedade”; tudo mis-en-scène, pois o preço dessa gente arrivista em busca de sucesso econômico e poder a curto prazo é altíssimo, cujo retorno para a sociedade local é migalha ou inexistente.
São frequentemente libertos pela justiça, pasmem, em nome de uma justiça, cujas instâncias nem elas mesmos se entendem e o que pior, trocam farpas é acusações de incompetentes e autoritárias.
O mais culto e intelectualizado dos homens na área jurídica não consegue entender nem explicar, quiçá um leigo como eu, os caminhos e descaminhos das leis, todos embasados por suposto “sólido fundamento jurídico”, quase que impenetrável. Parece sofisma e ainda por cima, repleto de silogismos. Não passam de academicismo, travestido rito.
É nessas horas que faz falta o Rei Salomão, um dos mais sábios dos homens, que à procura da justiça, abstrai-se de tecnicismos jurídicos, afastando-se dos nefastos meandros da lei, que mais parecem lutar p absolver o bandido. A condenação dessa gente, em larga medida, seria baseada em preceitos éticos e morais, mas isso, obviamente, não conta no julgamento das cortes.
Após uma longa e entediante refrega entre o bem e o mal (vide o caso da LAVA JATO, demonizado pelo STF), o final é invariavelmente o mesmo: o inocentamento de um criminoso; o BEM, abraçado pela vítima (povo), policiais federais, delegados, procuradores, juízes de primeira instância; o MAL, nas mãos da Suprema Corte, em especial, de um de seus mais notórios falastrões, seja absolvido ou inocentado (dá no mesmo), por prescrição da ação criminosa. Eis o GRAN FINALE. A justiça prevalece, mas que justiça é essa?
A quem recorrer desse absurdo quando tudo parece tão surreal, em a realidade é substituída pelo imaginário do faz de conta, o que era pesadelo para o criminoso tornou-se apenas uma página virada na sua vida de crimes?
Assim, após vultosas batalhas judiciais, em que a justiça parece uma perigosa aventura, ao final, esta subjuga a própria justiça, desqualificando-a e a humilhando vexatoriamente, restando a estranha sensação de completa e inapelável injustiça para o homem de bem, enquanto pesadelo; o crime compensa, sim, pois o criminoso mesmo estando maculado socialmente, a ética e moral são valores, que para si não têm nenhum valor.