Houve uma grande aliança nacional com a implantação da agricultura tropical, a criação da EMBRAPA que tem um corpo técnico admirável, a maioria com formação nos grandes centros agropecuários do planeta e o apoio inestimável da agroindústria com executivos esclarecidos que enfrentaram junto com os produtores o desafio de transformar um país importador de alimentos em grande exportador enfrentando os autointitulados de donos do mundo.
Para nos contar um pouco de como é a história da nossa pecuária e o futuro que a aguarda transcrevo trechos do artigo de autoria de Alcides Torres, o grande amigo Scot “E o amanhã?”:
“Essa é a pergunta recorrente. Como será o amanhã? O futuro não existe, é uma quimera, mas como o mercado não se cansa de repetir essa pergunta, a responderemos segundo o que imaginamos que acontecerá com a pecuária nos próximos anos. Nos 22 anos deste século, a pecuária brasileira evoluiu tremendamente, não é por acaso que o Brasil é protagonista global na exportação de carne bovina e a evolução e a inovação continuam. Certamente terminaremos esse século com uma pecuária totalmente diferente. Quem viver verá.
Aliás, a pecuária vem crescendo desde a década de 1970, quando o Brasil priorizou a produção de alimentos, investindo em pesquisa e desenvolvimento. Produção de alimentos nos trópicos é com o Brasil. Bem, a expectativa é de que a renda das classes sociais menos favorecidas melhore, que a logística de distribuição dos alimentos evolua racionalmente, que o desperdício seja minimizado e que o acesso à comida flua sem percalços. Mais gente será agregada ao mercado consumidor.
A integração lavoura pecuária deverá aumentar possibilitando a extração de três safras por ano e maior renda por hectare, fixando o homem no campo, fixando fazendeiros e trabalhadores no meio rural. Os fazendeiros, cuja característica brasileira é a juventude, serão mais tecnificados e estarão alicerçados em gerenciamentos racionais, de recursos e de riscos. A nutrição do solo, da planta e do bovino, será adotada normalmente e permitirá sistemas perenes de produção, cuja consequência será a possibilidade de melhoramento do rebanho bovino. O melhoramento genético por sua vez permitirá a terminação de rebanhos mais cedo, precocemente. O intervalo entre partos será menor, a conversão alimentar será mais eficiente, a desmama será mais pesada e os bovinos serão mais dóceis.
Mas não é somente no Brasil, o consumo de carne bovina deverá crescer no mundo, principalmente na América Latina, Ásia e África, pelas mesmas razões e por que a expectativa é de que a população global deverá crescer de 8 bilhões para 8,5 bilhões de pessoas nos próximos oito anos. No Brasil, a expectativa é de que a população cresça de 215 milhões para 225 milhões até 2030. Para fazer frente a essa demanda, a pecuária brasileira conta e contará com capins melhorados, mais nutritivos e mais produtivos. Com pastagens mais resistentes a condições hostis de produção, tais como solos encharcados, geada e seca. Esse será o amanhã.”
É muito difícil contar a história da pecuária brasileira e fazer previsões para o seu futuro em tão poucas linhas, entretanto o amigo Scot com o seu enorme conhecimento e seu poder de síntese nos conduz por um fascinante passeio pelo mundo rural brasileiro. O leitor pouco inteirado sobre o assunto depois de ler o artigo passa a conhecer um pouco mais do trabalho e esforço dos produtores. Os conhecimentos do Scot são importantes para difundir a história do nosso mundo rural, desmistificar e desmentir toda a campanha contra quem produz alimentos.
Um artigo como esse não pode ser muito longo para não cansar o leitor, ou com termos técnicos que impedem a compreensão da maioria, uma vez que não é destinado à academia e sim ao grande público e ao mundo rural. Naturalmente algumas informações não foram divulgadas, entre elas a força injetada na pecuária pela importação de bovinos vivos da Índia, como agora depois do trabalho de aperfeiçoamento através de melhoramento genético da raça importada os indianos desejam importar esse conhecimento.
O Scot também não cita o enorme preço que o mundo rural vem pagando com a perseguição das ONGs criadas por países concorrentes do Brasil no mercado internacional. Apesar destes complementos o Scot foi extremamente brilhante e competente, como sempre, em seu artigo que mereceria ser divulgado em todo o Brasil para que os brasileiros conhecessem um pouco mais sobre a pecuária brasileira. “Um professor afeta a Eternidade; ele nunca consegue descobrir onde a sua influência termina” — Henry Adams, historiador, jornalista e novelista estadunidense.