Fui ler manchetes sobre os fatos do dia, é já um hábito, um pacto com o mundo para estar no mundo, mesmo quando muda. O que me ocorre é que pouco ou nada muda, são sustos constantes com o incessante retrocesso civilizatório.
Há avanços, sim, há, mas são tão díspares, tornam-se inoperantes diante da mendicância do dia a dia das gentes perdidas em nebulosas de mentiras e ganâncias. Serão sementes? Sementes de mudanças necessárias, as quais ainda não rebentaram a flor da terra, não germinaram, não brotaram nem abriram suas flores ou lançaram frutos para saciar os caminhantes.
Um dos fatores mais marcantes desta orquestra desarmônica está em sua regência por poderosos titulares de “podres poderes” embriagados de ódio insuflando medos, provocando rachas, inseguranças de toda ordem – uma desgraça – desvios e devaneios nos seres mal alimentados, mal situados, desabrigados e, principalmente, mal amados. O desamor é fatal, pois o amar-se independe de status, diplomas, enfim, não se compra, e a ignorância cega, como já bem o demonstrou Shakespeare com seu legado de cenários sempre atuais.
Ocorre-me neste fluir da reflexão a lembrança do legado de outro poeta, Gonçalves Dias, o trovador de “I-Juca-Pirama”, lá nos longínquo idos de 1851:
“Sou filho das selvas, nas selvas cresci; guerreiros descendo da tribo Tupi.”
“Da tribo pujante, que agora anda errante por fado inconstante…”
E segue o seu canto ou lamento em brados estonteantes, impossível não os entrelaçar com os episódios em sequência que nos assombram nesta hora nona do século XXI:
“Sou bravo, sou forte, sou filho do Norte; Meu canto de morte, guerreiros ouvi”.
Então, pergunto ao vento, ao mar e a toda a Natureza: está a humanidade entoando um canto de morte? Por que pergunto? Pergunto porque o que se vê, o que vejo, é a insensatez desfilando a plena luz do Sol.
Estou exagerando? Se assim for, digam-me o que significa guerras declaradas para satisfazer egos embrutecidos, massacres inúmeros e incontidos para a abastecer os cofres dos miseráveis de espírito, dos órfãos e/ou sedentos de vida a negar as Verdades, as Ciências, as oportunidades de mudar, mudar e mudar para dias floridos com rostos de sorrisos estampados como há de ser o semblante do humano expressão do divino.