O ambientalismo afeta apenas os países cujas lideranças são crédulas. O Brasil sempre foi muito orgulhoso da produção de energia elétrica, denominada pelos ambientalistas limpa, através de uma série de hidrelétricas. Durante anos esta verdade perdurou, todavia, os ambientalistas completamente insatisfeitos com o processo brasileiro de geração de energia surtaram. Tal surto desencadeou uma enorme campanha contra a instalações de novas hidrelétricas, bem acolhida por autoridades crédulas. Assim tivemos que nos despedir dessa fonte de energia.
Como sempre o nosso país caminhando na contramão. Para que todos tenham a noção que o mundo acolhe muito bem as hidrelétricas e as valoriza a exemplo da China que jamais se deixou levar pelos ataques do ambientalismo. A Reuters publicou, em 08/05/2024, a matéria “Produção hidrelétrica da China preparada para impulso após fortes chuvas” assinada por Gavin Maguire. Transcrevo:
“As hidrelétricas da China geraram a menor parcela da produção total de eletricidade em pelo menos oito anos durante o primeiro trimestre de 2024, mas parecem preparadas para uma recuperação após fortes chuvas em partes importantes do sul e sudoeste. A energia hidroelétrica representou apenas 9% da produção total de eletricidade da China durante o primeiro trimestre de 2024, abaixo da média de 11% de 5 anos durante esse período, mostram dados do think tank Ember.
Em termos absolutos, a produção hídrica total durante o primeiro trimestre foi de 212 terawatts-hora (TWh), um aumento de 2% em relação ao mesmo período de 2023, mas muito abaixo da capacidade potencial após uma longa seca desde meados de 2022. Produção de energia hidrelétrica da China tende a atingir pico em meados do ano. A produção abaixo do esperado das barragens hidroelétricas, que fornecem aos geradores de eletricidade da China uma fonte importante de energia limpa despachável, significou que as empresas de energia tiveram de aumentar a produção a carvão para níveis recordes este ano para equilibrar as necessidades do sistema.
No entanto, as fortes chuvas durante Abril e início de Maio deverão aumentar drasticamente a produção de barragens hidroelétricas no Verão, quando a China normalmente registra o seu pico de precipitação durante a estação das monções na Ásia Oriental. Em Junho de 2022, o último Verão em que a produção hidroelétrica da China atingiu os níveis médios, as barragens hidroelétricas representaram mais de 20% da produção total de eletricidade nacional e, portanto, forneceram uma fonte importante de energia limpa, precisamente quando as necessidades totais de eletricidade da China atingiram o seu pico devido à maior demanda por ar condicionado.
Em 2024, se a precipitação continuar a subir para níveis médios, as barragens hidroelétricas poderão potencialmente igualar essa percentagem da produção nacional de eletricidade, o que poderá ajudar as empresas de energia a reduzir a produção a carvão e a limitar as emissões associadas. O sudoeste da China é a principal região de geração hidroelétrica, sendo as províncias de Sichuan e Yunnan responsáveis por 48% da produção hidroelétrica total em 2020, de acordo com dados do Gabinete Nacional de Estatísticas.
Desde meados de 2022, a região tem sido atingida por uma seca prolongada, com algumas áreas a reportar 50% ou menos dos níveis normais de precipitação anual. Contudo, algumas dessas mesmas áreas foram atingidas por chuvas muito fortes nas últimas semanas, o que poderá reverter o mau desempenho da produção hídrica regional. ‘Espera-se que as partes do sul da China vejam mais chuvas do que o normal este mês’, informou o Centro Nacional do Clima da China no início de maio.
‘A precipitação em muitas áreas nesta parte da China será 20% a 50% maior do que no mesmo período em anos médios, e isto pode levar a mais inundações nestas áreas’, acrescentou, observando que a precipitação nacional em Abril foi de 51,8% superior à média geral. Totais de precipitação em Sichuan desde 3 de março de 2024. Na província de Sichuan, as chuvas acumuladas de 1 de abril a 4 de maio totalizaram 92,4 milímetros, em comparação com uma média de longo prazo de 57,6 milímetros no mesmo período, segundo o LSEG.
As previsões para Sichuan até 16 de maio preveem cerca de duas vezes a quantidade normal de chuva, mostram os dados do LSEG, portanto as condições encharcadas parecem destinadas a persistir. Nem todas as chuvas recentes produzirão mais produção de barragens hidroelétricas, uma vez que grande parte da precipitação inundou campos, vilas e cidades que estavam a quilómetros de distância dos principais sistemas de barragens hidroelétricas.
No entanto, devido aos extensos canais de esgoto e drenagem da China, grandes volumes das chuvas recentes terão sido desviados para redes regionais de rios e reservatórios, de onde fluirão através de sistemas de barragens geradoras de eletricidade. Os dados para a geração hídrica de abril ainda não estão disponíveis, mas provavelmente ficarão bem acima dos 71,77 TWh gerados em março, segundo Ember.
A média de geração de abril de 2018 a 2022 foi de 79,8 TWh, mas a produção pode superar em 2024 graças à nova capacidade adicionada, colocada em operação em 2023 e até agora em 2024. Principais centrais hidrelétricas na Ásia. As novas instalações incluem uma das barragens hidroelétricas de maior altitude do mundo, a estação Maerdang, no noroeste da província de Qinghai, que iniciou operações no mês passado e quando estiver totalmente operacional poderá fornecer cerca de 15 TWh de eletricidade anualmente, segundo a operadora China Energy Investment Co Ltd.
Combinada com uma produção mais elevada da rede de barragens sul/sudoeste, Maerdang e outras centrais eléctricas têm o potencial de inverter a recente tendência decrescente da produção hidroelétrica nacional e ajudar a impulsionar a produção total de energia limpa.”
A matéria chama muito a atenção para outra utilidade das hidrelétricas além da geração de energia elétrica. Elas evitam, na região onde são instaladas, as danosas inundações. Apesar da campanha ambientalista contra as hidrelétricas em um país como o nosso com rios caudalosos elas deixam de ser problemas e se tornam parte da solução para evitar as costumeiras inundações. Com a instalação estratégica de hidrelétricas em regiões onde os rios tendem a crescer e promover inundações talvez seja o momento de usá-las para evitar tragédias como as que ocorreram recentemente.
Ou seja, promover a adaptação às crueldades climáticas provocadas pelas alterações que sempre foram uma constante ao longo de milênios. Faz parte da adaptação para evitar o assoreamento dos rios, que propiciam as inundações, é preciso investir em ações preventivas. Assim é necessária a dragagem. Outra medida que pode reduzir o assoreamento dos rios é instalar barreiras que impeçam que os detritos fiquem acumulados.
“Inteligência é a capacidade de se adaptar a mudanças. A genialidade é antes de tudo a habilidade de aceitar a disciplina” – Stephen Hawking, físico teórico, cosmólogo e autor britânico, reconhecido internacionalmente por sua contribuição à ciência, sendo um dos mais renomados cientistas do século.
A solução chinesa.
Cresce a produção de eletricidade na China.
