Após o jogo entre Manchester City x Fluminense houve uma profusão de comentários sobre as causas dos resultados dos clubes brasileiros nos confrontos com europeus. Sinceramente, a maioria dos diagnósticos dos comentaristas esportivos brasileiros esbarra no saudosismo que sugere, para espanto dos que realmente entendem de futebol, um retorno à essência do futebol de várzea. Outros, mais rasos ainda, atribuem os resultados à imagem e comportamento dos jogadores brasileiros com seus cabelos pintados e corpo carregado na tatuagem. Se a Europa se ocupasse do mito da várzea, jamais ganharia dos brasileiros e se seus jogadores carregassem o cabelo na tintura e ocupassem o corpo com tatuagens nada mudaria nos resultados. O problema não está aí.
O problema do futebol brasileiro está na falta de mão obra capacitada para treinar os times. O futebol europeu evoluiu bastante no aspecto tático. Para tanto, teve que investir pesado na formação de treinadores, levando-os para a academia. O resultado é impressionante e a Europa pratica, hoje, o melhor futebol do mundo com a utilização de modelos táticos produzidos nas experiências acadêmicas e em centros especializados. O Brasil não tem uma política clubística visando formar treinadores para tornar o futebol competitivo. A consequência disso é a importação de treinadores europeus para suprir a necessidade do mercado brasileiro. Mesmo não sendo os melhores treinadores europeus, os resultados são positivos.
O debate sobre como reformular o modelo tático do futebol do Brasil exige urgência e prioridade. Não temos problemas com qualidade de jogadores. Ainda temos os melhores jogadores do mercado mundial, tanto que fornecemos para a Europa. Também temos uma elite de clubes com estrutura excepcional para treinamentos, mas sem excelentes treinadores não se tem bons resultados. Basta verificar na atuação e nos resultados da seleção brasileira. Composta pela maioria de jogadores que atuam nas competições europeias não conseguem produzir bons resultados na seleção canarinha. Portanto, ou há uma revolução nesse sentido ou iremos ficar torcendo nos confrontos com europeus para que o placar não seja elástico ou esperar uma atuação do imponderável. Triste!