A primeira e mais importante indagação é possível o casamento entre a preservação do meio ambiente com o social e a governança a ‘toque de caixa’? Existe alguma novidade na ESG além do extremismo proposto e as punições implementadas por alguns países? A proposta da ESG ‘caiu do céu’ ou surgiu do braço ambiental da ONU que segue ‘Ipsis litteris’ (com as mesmas letras) a cartilha de dominação através da ecologia oriunda do ‘Clube de Roma’ nos idos da década de 1960?
Rodrigo C. A. Lima, sócio-diretor da Agroicone. Advogado, Doutor em Direito das Relações Econômicas Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), publicou em 28/07/2022, no Agrocast do ‘Estadão’, o artigo “A catástrofe Alimentar Global”, que transcrevo partes do texto:
“No dia 15 de julho, os líderes da Organização das Nações unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Organização Mundial do Comércio (OMC), Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional e o World Food Programme salientaram a urgência de uma resposta multilateral efetiva para estancar a iminente crise alimentar global.
Dados do World Food Programme mostram que 828 milhões de pessoas não têm comida suficiente e 50 milhões de pessoas estão enfrentando níveis emergenciais de fome, abrangendo 82 países. Já o relatório “O estado da segurança alimentar e nutricional no mundo em 2022”, da FAO, aponta que perto de 12% da população global (928 milhões de pessoas) viveu em situação de grave insegurança alimentar em 2020. Mais da metade da população desnutrida vive na Ásia e mais de 1/3 na África. O relatório mostra que a meta de erradicar a fome até 2030, Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS 2) da Agenda 2030 das Nações Unidas, dificilmente será alcançado, sugerindo que cerca de 660 milhões de pessoas ainda enfrentarão fome em 2030.
Estimativa recente das Nações Unidas prevê que, em novembro de 2022, a população global ultrapassará 8 bilhões de habitantes, subindo para 8,5 bilhões em 2030 e 9,7 bilhões em 2050. Mais da metade desse crescimento ocorrerá no Congo, Egito, Etiópia, Índia, Nigéria, Paquistão, Filipinas e Tanzânia. Diante desse cenário, acabar com a pobreza, promover a produção e consumo responsáveis e enfrentar o aquecimento global são objetivos intrinsecamente relacionados com o desafio de alcançar a segurança alimentar e nutricional e, por que não dizer, a paz.
Em meio à fome de quase 1 bilhão de pessoas não é prudente concentrar o debate em torno da escolha de um ou outro modelo produtivo. A questão de fundo parece ser como produzir mais comida, usando menos recursos (solo, água, insumos, energia), integrando pequenos e médios produtores a cadeias produtivas estruturadas, reduzir a intensidade de emissões de gases de efeito estufa (GEEs), fomentar a adaptação às mudanças do clima e, com base nisso, estimular a necessária transição dos sistemas alimentares.”
O artigo de Rodrigo C. A. Lima além de brilhante nos informa a todos as preocupações e a encruzilhada que se defrontam os líderes da Organização das Nações unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Organização Mundial do Comércio (OMC), Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional e o World Food Programme. O que me espanta é a previsão do aumento populacional em determinado ano como se fosse terminativo, aí vem uma expressão que gosto muito de usar – ledo engano – a população mundial continuará a crescer, crescer e crescer. É de uma falta absoluta de senso e visão planejar para tão curto prazo o futuro da humanidade.
Vamos partir de uma premissa correta – a promoção da sobrevivência do planeta deve andar de ‘mãos dadas’ com a sobrevivência da humanidade. No mundo hoje quem alimenta a todos são as empresas privadas e os produtores. Como promover a sustentabilidade na medida que se fragiliza quem produz e distribui os alimentos para todo o planeta?
Como financiar a preservação do meio ambiente, o fortalecimento das medidas sociais e a governança se a ESG desloca para sí o foco da atividade empresarial e produtiva relegando o ‘lucro’, que alimenta as três letrinhas – E.S.G., para um segundo plano? O que consigo divisar na ideologia extremada da ESG é a fragilização das empresas e da liberdade dos cidadãos criando governos ditatoriais que controlarão a todos e a produção de alimentos. Será que é o que nós queremos? Várias perguntas ficam no ar e a humanidade precisa de tempo para respondê-las – “Os anos ensinam muitas coisas que os dias desconhecem” — Ralph Waldo Emerson (1803-1882) escritor, ensaísta, poeta e filósofo norte-americano.