Já na eleição de 2016, o então candidato Gilvan Borges, durante o horário eleitoral, saiu às ruas para desmentir seu adversário, o atual Prefeito, mostrando a realidade das ruas usando, para tanto, uma trena para, comprovada a falácia do asfalto “alto”, disparar o seu famoso bordão: “mentiroso não, é pão”! Gilvan é o típico político que se preocupa mais com a repercussão humorística do sarcasmo do que, efetivamente, com o conteúdo sério da crítica, no propósito de desmoralizar seu adversário. Ainda assim a trena de Gilvan fez estrago na trena de Clécio, repercutindo bastante no horário eleitoral.
Agora, na pré-campanha de 2020, aconteceu algo inusitado, representativo e de conteúdo bastante expressivo. A então pré-candidata Patrícia Ferraz, em ato de pré-campanha, fez uma visita a um trecho de uma via pública, cujo trabalho de asfaltamento pela PMM havia acabado de encerrar, e, usando o salto de seu elegante sapato, comprovou que o asfalto não resistia a pressão de um salto, dissolvendo-se como uma massa sem consistência. O fato ganhou as redes sociais e teve uma repercussão extraordinária. A pré-candidata Patrícia Ferraz acabava de uma vez por todas com a falácia do asfalto de boa qualidade com a sutil utilização do salto de seu elegante scarpin.
O gesto da pré-candidata Patrícia Ferraz foi ultra simbólico. Revelou que a precisão das trenas masculinas dos políticos que não cumprem suas promessas pode ser aferida pela precisão de um salto scarpin da decência. O salto scarpin da decência que mediu com precisão cirúrgica a hipocrisia das campanhas, representa todos os munícipes que durante o horário eleitoral são encharcados de promessas vazias que, como promessas de bêbados, jamais serão cumpridas. O toque feminino na constatação do blefe político revela o quanto o sentido da mulher representa a sutil diferença na observação da mesma realidade.
O jogo político agora começou de verdade com as convenções partidárias e as escolhas dos candidatos. Ao eleitor incumbe a responsável e patriótica tarefa de escolher os melhores candidatos para lhe servir. O desafio é saber utilizar os instrumentos corretos para medir as verdades dos discursos políticos. As trenas utilizadas no passado não podem servir de ferramenta de precisão para medir os discursos e suas verdades no momento presente, ante sua comprovada ineficácia. Cada cidadão deve ter uma ferramenta com a sensibilidade e precisão do tão bem utilizado salto scarpin que desmoralizou o asfalto da trena da vergonha. Cabe ao cidadão escolher – com inteligência – entre a trena e o salto!
Vicente Cruz
Presidente do Conselho de Administração, advogado sênior e Estrategista Chefe do IDAM (Instituto de Direito e Advocacia da Amazônia)
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