Verdade mesmo, é que aquele político nato, com tendência a estadista sempre morrendo em utópicas ilusões e tangido por ideais, acabou. Desapareceu! Até inocentes entusiastas politizados, que vindo para o interior, penetravam em tortuosos caminhos políticos pelejando por derrotar o “coronelato” caipira assentado a época, se acabaram. A crença na seriedade murchou. De um modo geral todas as modernas modificações foram muito profundas, mas trazendo como principal novidade, um cruel abandono da vergonha.
Pode ser que a culpa seja até de todos nós, por talvez permitir que acontecesse em grande número, na classe política, gente altamente profissionalizada e com tendências maiores a comportamento mercantilista. Ocupam palanque, TV, imprensa sempre falando do desprendimento que têm em suas próprias vidas sacrificando-as em favor do povo. Normal e estranho é que geralmente só falam dos mais pobres e carentes não assumindo nunca o interesse dos ricos Sorrateiros, jamais neles tocam ou os defendem publicamente, só escondidinho, mas é com eles que buscam ardilosamente, dinheiro para as campanhas.
Em sendo eleitos, aos primeiros não dão confiança, e aos segundos, normalmente chantageiam com os favores ou com os rigores do poder.
Uma família, comunidade, cidade ou região ao construir um político, colocam sob sua responsabilidade total representação de vontades, metas e cuidados. Entre outras, os tornam tutores até da educação de filhos e saúde de todos. Na economia tornam-se parte gerenciadora de arrecadações, orçamentos e gastos financeiros e por bulir legalmente com a roda da fortuna pública, o que evidente altera a sorte de todos. O grande transtorno, é que não se atenta para a extensão dos poderes que lhe são conferidos ao ofertar-lhes o voto por simpatia ou mimo, o que costuma conduzir a erro por excesso de confiança e desprezo a qualidades pessoais de outros. Não tendo nós na estrutura da organização do Estado, duras e severas previsões de penas ou punições por crimes de responsabilidades, o apelo ao deslize se torna mais atraente. E o grande paradoxo é que as leis que os enquadram por malversações e outras traquinagens, são feitas, elaboradas e aprovadas por eles próprios. O que nos faz imaginar que tudo continuará na mesma.
Não pretendo cair em vala do comum dizendo que alguns estejam simplesmente roubando, ou qualquer coisa do gênero, vejo o assunto de forma mais grave, tornando maior o desastre invisível no momento, por envolver inocentes gerações atuais e vindouras, em futuro até próximo. Talvez por isso, estas más participações não sejam como deveriam, execradas no instante e duramente repudiadas, sendo até toleradas, pois seus resultados e efeitos só aparecerão anos e anos mais tarde quando ninguém, nem mais deles, ou do que fizeram, se lembrarem.
Difícil é aceitar, que até gente inteligente diga que cada povo tem o governo que merece. Outros indo até mais longe, chegando a dizer que os eleitos são expressão e caráter dos eleitores. Não tenho procuração de ninguém para incluí-los em defesa, mas certo estou que muitos recusarão, como eu sempre essa parecença, ainda mais em tempos de agora, em que tudo ainda mais se descarou.
O assunto é chato e repetitivo, um carma… E não adianta muito falar nele, nada muda, mas como também sou chato, em se tratando deles, falo.
O Brasil carece de coisa melhor do que tem aparecido e não só como ilusão, que machuca sem cura….