O nosso nobre escritor ainda apresentou uma conclusão: “eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a autoestima”. O acerto ou desacerto da frase de Nelson é motivo de muitos debates, livros e teses acadêmicas. Mas não é esse o objetivo desse artigo, perquirir acerca dos erros ou acertos da natureza história ou sociológica do cidadão brasileiro.
A ideia aqui é em primeiro lugar defender que temos sim nomes e obras de relevo no cenário brasileiro. E apresento desde logo nomes que enobrecem e enchem de orgulho o povo brasileiro: Ayrton Senna (desportista de fama internacional); Zilda Arns (médica e fundadora da pastoral da criança); Machado de Assis (escritor traduzido para dezenas de idiomas); Santos Dumont (criador do avião, ao que pese algumas controvérsias); Barão de Mauá (foi um importante banqueiro, industrial e político brasileiro).
Já no que tange aos grandes fatos protagonizados pelos nossos nacionais, registro e exalto que temos uma das maiores e mais sustentáveis atividades agrícolas do mundo! A sustentabilidade é entendida como ações/atividades humanas que visam suprir as necessidades do presente sem comprometer as gerações futuras. Nesse cenário do agronegócio é induvidoso os méritos e as inovações da nossa nação brasileira. Mas algo precisa ser corrigido: a desinformação brutal que assola a nossa mídia, o nosso povo e por vezes o nosso Governo.
E para clarear os entendimentos e revelar o quão grande e produtivo é o nosso agronegócio, vou apresentar dados e números chocantes. O livro Tons de Verde do pesquisador da Embrapa Território, Sr. Evaristo de Miranda, é o nosso suporte científico para essa verdadeira missão de descarrego de falsas e maliciosas informações que grassam pela mídia e pelo imaginário dos desavisados.
O mundo rural brasileiro utiliza, em média, apenas a metade da superfície de seus imóveis (50,1%). A área dedicada à preservação da vegetação nativa nos imóveis rurais – registrados e mapeados no Cadastro Ambiental Rural (CAR) – representa um quarto do território nacional (25,6%).
A partir dos dados do CAR, a pesquisa da Embrapa Territorial quantificou a dimensão territorial da contribuição da agricultura para a preservação ambiental. Os produtores rurais brasileiros (agricultores, florestais, pecuaristas, extrativistas etc. cadastrados no CAR) preservam no interior de seus imóveis rurais um total de 218 milhões de hectares, o equivalente à superfície de 10 países da Europa.
Mas tem mais meu caro leitor, as 600 terras indígenas ocupam 10,4% do território nacional. O total das áreas protegidas (unidades de conservação integral e terras indígenas) representam 206 milhões de hectares e 24,2% do Brasil. Com a soma das áreas protegidas e as áreas preservadas pelos nossos produtores rurais nos seus imóveis chegamos ao gigantesco número de 423 milhões de hectares ou 49,8% do Brasil.
É essa a realidade do nosso glorioso Brasil, metade do território nacional é destinado à preservação do meio ambiente!
Já do outro lado da linha do equador, nos Estados Unidos da América – EUA, um trabalho realizado pela equipe da Embrapa Territorial com base nos dados do Economic Research Service do USDA, utilizando dados do Major Land Use, permitiu construir um gráfico que é verdadeiramente chocante, quando comparado com a realidade brasileira, senão vejamos:
Figura 9 – Expressão gráfica da quantificação territorial dos diversos usos e ocupação das terras e das áreas destinadas à preservação e à proteção da vegetação nativa nos Estados Unidos da América.
Bem, contra fatos não há argumentos, é o que diz o adágio popular. Os Estados Unidos da América é a maior potência do mundo e utiliza 74,3 % do seu território para o agronegócio. As áreas que eles destinam à proteção e preservação da vegetação nativa é de 19,9%. No nosso carente e necessitado Brasil utilizamos 30,2% para o agronegócio e 66,3% para a proteção e preservação da vegetação.
Por fim, não vislumbro o brasileiro como um ser humano de segunda categoria, e também é correto afirmar que temos feitos e realizações que orgulham qualquer ser humano. A nossa preservação do meio ambiente é por certo um dos maiores feitos da humanidade, difícil algum país competir nesse quesito com o Brasil. Assim, o complexo de vira lata não tem mais lugar em nosso país, pelo contrário, é o orgulho e a fala firme que devem orientar nossos cidadãos, como já revela nosso hino: Gigante pela própria natureza, és belo, és forte, impávido colosso, e o teu futuro espelha essa grandeza!
Julhiano Cesar Avelar
Procurador do Estado do Amapá. Atualmente Diretor Presidente do Instituto de Terras do Estado do Amapá- AMAPA TERRAS