Não obstante sua obra incluir mais de 40 peças teatrais, ensaios, livros infantis, contos, romances e poesias o que o singularizou foi dar “voz ao indizível” …
Releio um pequeno trecho de um de seus romances. Quero saber o que é esse “indizível”.
Há alguns indícios, mas é pouco para o muito que quero. Pouca água para o oceano no qual apenas umedeço a sola dos pés, mas quero é mergulhar. Então, busco suas poesias. Encontro dois ou três fragmentos. Precisarei cavoucar mais nas redes, em outras línguas, provavelmente, até que se o traduza no Brasil.
Seria o indizível aquilo que não se traduz porque se esquiva ou se conecta entre fímbrias da identidade secreta a sustentar o reflexo do desdobrar em atuações, às vezes harmônicas outras discrepantes, nos diversos palcos dos dias pelos quais transita este que és tu, sou eu, somos nós?
Mas não duvide, tenho sorte, muita sorte. Emerge do Google um texto que é uma declaração ou entrevista, como queiram, de Jon Fosse sobre o seu fazer literário. E foi dada em Portugal quando sua peça Vai Vir Alguém foi encenada. E na ocasião ele declara, não em alto e bom som, mas em suave dedilhar, como de uma canção do mar bem ao gosto norueguês:
“A poesia passa por domínios que não são só os da inteligência (…) Escrever não é uma questão de inspiração, mas de trabalho, uma mistura de trabalho árduo e de magia.” Sim, não há poesia sem encantamento, eu diria.
Sem dúvida, trata-se de um autor centrado sobre a temática da condição humana, isso se pode verificar já a partir dos títulos de suas obras: Manhã E Noite, Melancolia, Brancura, É A Ales. Seria isso dar voz ao indizível? Seria soprar nos ares as dúvidas, os questionamentos, as certezas e inseguranças, os esmorecimentos ou os desvios advindos da teoria e da prática das vivências homeopáticas com que rascunhamos o nosso prólogo e epílogo?