“Estas instruções são para os que ignoram os perigos dos poderes anormais no homem.
1. Quem quiser ouvir a “Voz do Silêncio”, o Som Insonoro e compreendê-la, tem que aprender a natureza da intensa e perfeita concentração da mente em algum objeto interior, acompanhada de abstração completa de tudo o pertinente ao universo externo, o mundo dos sentidos.
2. Tendo se tornado indiferente aos objetos de percepção, deve-se buscar o centro dos sentidos, o produtor de pensamentos, aquele que desperta a ilusão.
3. A mente é o grande Assassino do Real.
4. Que o Discípulo “mate o Assassino”, porque (…) quando houver cessado de ouvir os muitos, poderá discernir o UM – “Estas instruções são para os que ignoram os perigos dos poderes anormais no homem.
1. Quem quiser ouvir a “Voz do Silêncio”, o Som Insonoro e compreendê-la, tem que aprender a natureza da intensa e perfeita concentração da mente em algum objeto interior, acompanhada de abstração completa de tudo o pertinente ao universo externo, o mundo dos sentidos.
2. Tendo se tornado indiferente aos objetos de percepção, deve-se buscar o centro dos sentidos, o produtor de pensamentos, aquele que desperta a ilusão.
3. A mente é o grande Assassino do Real.
4. Que o Discípulo “mate o Assassino”, porque (…) quando houver cessado de ouvir os mui o som interno que mata o externo.
5. Antes que a Alma possa ouvir, a imagem (o homem) tem de se tornar tão surda aos rugidos como aos murmúrios, aos bramidos dos elefantes uivantes.
6. Antes que a Alma possa compreender e recordar-se, deve estar unida ao Falante silencioso, como a forma a ser tomada pela argila e primeiro unida à mente do ceramista.
7. Porque então a Alma ouvirá e se recordará e, ouvindo o interno, falará:
8. Se tua Alma sorri ao banhar-se na luz solar de tua Vida; se tua Alma canta dentro de sua crisálida de carne; se tua Alma chora em seu castelo de ilusões; se tua Alma luta para romper o fio de prata que a liga ao Mestre -sabe, ó Discípulo, que tua Alma é da terra.
9. Quando o tumulto do Mundo tua Alma desabrochando dá ouvidos; quando à rugente voz da grande ilusão tua Alma responde; quando, medrosa ante a visão das cálidas lágrimas da dor e aturdida pelos gritos do desespero, tua Alma se recolhe como tímida tartaruga na carapaça do egocentrismo – sabe, ó Discípulo, que do seu “Deus” Silencioso tua Alma é um sacrário indigno.
10. Quando, mais forte já, tua Alma se desliza fora de seu seguro retiro, e, desprendendo-se, estende seu fio de prata e projeta-se adiante; quando contempla a sua imagem nas ondas do espaço e murmura: “Isto sou eu” – declara, ó Discípulo, que tua Alma está presa nas teias da ilusão.
11. Esta terra, ó Discípulo, é a Sala das Tristezas, na qual, ao longo da Senda de terríveis provações, estão colocadas armadilhas para apanhar teu Ego pela ilusão chamada “Grande Heresia” – que é a crença no Eu separado do Eu infinito.
12. Esta terra, ó ignorante Discípulo, nada mais é que lúgubre entrada ao crepúsculo que precede o vale da verdadeira luz -aquela luz que nenhum vento pode extinguir, aquela luz que arde sem pavio nem combustível.
13. Diz a Grande Lei: “Para te tornares Conhecedor do Eu Total, deves primeiro ser conhecedor do Eu”. Para alcançar o conhecimento desse Eu, tens de renunciar o Eu ao Não Eu, o Ser ao Não Ser e, então, poderás repousar entre as asas da Grande Ave. Sim, doce é o repouso entre as asas do que não nasce nem morre, mas é o TODO, através de idades eternas.
14. Renuncia a tua vida, se quiseres viver.
15. Três Salas, ó cansado peregrino, te levarão ao fim das labutas.
16. Se queres aprender os seus nomes, então, escuta e recorda-te.
17. O nome da primeira Sala é IGNORÂNCIA.
18. É a Sala em que viste a luz, em que vives e morrerás.
19. O nome da Segunda Sala é a Sala da Instrução. Nela, tua Alma achará as flores da vida, mas debaixo de cada flor está uma serpente enrolada – a região astral.
20. O nome da Terceira Sala é a Sala da Sabedoria, além da qual se estendem as águas sem praias, a Fonte indestrutível da Onisciência.
21. Se queres atravessar seguro a primeira Sala, não tomes os fogos da luxúria, que ali ardem pela luz do Sol da vida.
22. Se queres atravessar seguro a Segunda Sala, não te detenhas a aspirar o aroma de suas narcóticas flores. Se queres livrar-te das cadeias kármicas, não procure o teu Mestre nas regiões perdidas.
23. Os Sábios não se detêm nas regiões deleitosas dos sentidos.
24. Procura na Sala da Sabedoria aquele que te dará o nascimento, na Sala que está mais além, onde se desconhecem todas as sombras e onde a luz da verdade brilha com inalterável glória.”
A leitura da obra de H.P.Blavatsky é parte do caminho evolutivo. Em momentos, ela dizia “sou budista até as pontas dos meus dedos e isso tenho dito durante anos”. E noutros, negado: “ não abracei a crença budista, nem por convicção, nem por qualquer outra razão”.
Reiterou, encarando que o sistema de crença tem sido distorcido durante séculos pela ambição e fanatismo, assemelhando aos da igreja romana. E finalizou: “em resumo, o budismo é uma filosofia, não um credo”.
É de filosofia em filosofia que o caminho do Conhecimento pode ser desvendado, se ouvida a Voz do Silêncio.