Os revólveres eram sempre Smith ou Colt. Havia um terceiro, mas bem desmoralizado e que só era usado por pistoleiro de segunda classe. Um tal de HO. Mascava tiro adoidado. Se não logo no primeiro, no terceiro “faiava”. O que fez alimentar o dito popular das boas qualidades na ajudância da vida. Todos afirmavam: — “Revolver é Smith, caminhão é Chevrolet e geladeira é Frigidaire”. Para não ficar de fora e não parecer que esteja fraco de memória, ainda havia, nos qualificados e queridos bens de família a famosa Winchester, papo amarelo, também 44. Um tiraço, um balaço, um defunto.
Eram objetos, que até com carinho se misturavam aos “panos de bunda” e tradição de qualquer família brasileira. Longa participação e histórica união mantiveram com homens no desbravamento das gerais, caatingas, pantanais e pampas.
A grande diferença, em relação aos dias de hoje, é a qualidade dos homens que estavam atrás delas. Eram mais homens de verdade e na maioria das vezes, os que ficavam na frente delas, tinham mais é que ficar. Eram bandidos bem merecedores.
Hoje a avacalhação é geral. Mata-se com uma facilidade e covardia impares. Escreveu não leu, o tiro come e mais um morto na galeria das estatísticas do governo.
Bem por isso, conto com séria possibilidade de ser mais inteligente do que o Presidente da República e de muita gente com mandato. A não ser que todo mundo seja movido a interesses e conveniências ou só burrice mesmo, torna-se difícil aceitar, que imaginem o atual morticínio na sociedade brasileira como resultado da venda e comércio de armas. Não é possível!
Estão brincando de governar e abusando da boa fé de gente inocente, que bem acredita na poética idéia do desarme geral. Que outra explicação teria então, para ser tão complicado perceber que o emprego e o uso excessivo de armas signifiquem desagregação social, falência de educação e desajuste de comportamento por desigualdades em rendas e oportunidades? Já publicam descaradamente a queda em números, de vítimas de armas de fogo, sem dizer que muito aumentou se fazer morrer, por outros instrumentos, tal como faca e até cacetes.
Esta é uma triste realidade muito nossa. Estamos com muita gente raivosa e rebelde em nosso país. Piorando tudo, a droga com circulação garantida, pelo forte poder aquisitivo, das mais altas e educadas classes do Brasil, tem concorrido bastante na formação de bandidos ricos, aos quais, conseguir arma é de espantosa facilidade. Transgressores, jamais haverão de adquiri-las em comercio legal, nem nunca iriam legalizá-las. O que por si só, traz um grande abismo entre a maior segurança deles e a muita desgraça que é só nossa.
Quem mais esta matando são homens, o mais, são tão somente instrumentos. A fé, o respeito e religiosidade estão desaparecendo. Tirar vida alheia tornou-se coisa sem maiores conseqüências. Parecem mesmo entender que Deus esteja de costas e sequer a Ele, tenham contas a prestar. Essa palhaçada de desarmamento é jogo para torcida, incautos, principalmente eleitores, à falta de apresentar melhor planejamento do que fazer. E a medida é bem eficaz, para os próprios bandidos, que haverão de denunciar às autoridades, residências que ainda disponham de armas, para em seguida, assaltá-las com maior facilidade.
A idéia também é cretina. Números, sempre números, mostram que a maior tragédia da morte, esta nos carros. Tanto que, podemos nos considerar sobrevivente deles, e nem por isso, deixarão de ser fabricados.
O homem, mais que os esperados cavaleiros do apocalipse, já chegou, e é um animal difícil. Sua vida e seu espírito, além de se lhe dar maior respeito, precisa ser acalmada e amansada.
Só a imbecilidade não reconhece, que a violência se acaba com melhor cultura, educação, bom senso e justiça.