Pense nisso
Necessário que hoje os sorrisos fiquem ocultos por trás de máscaras para que amanhã possam ressurgir largos e luminosos, numa explosão de alegria na troca do tão esperado e demorado abraço.
Escritores do meio do mundo
Nestes tempos de pandemia, tempo que não permite aglomeração, não dá para fazer as bonitas e culturais festas de lançamento de livros. Mas para que a produção literária não fique presa nas gavetas, nos computadores ou pen-drives, a opção é partir para os e-books e adiar o livro físico para depois que tudo isso passar.
No Amapá, não é diferente. Grupos de cronistas e poetas, sob a batuta do escritor e promotor de Justiça Mauro Guilherme, optaram por coletâneas no formato e-book. No final de maio e início de junho duas foram lançadas nas plataformas digitais e estão à venda na amazona.com
Cronistas na Linha do Equador
A primeira, “Cronistas na Linha do Equador, reúne dez escritores amapaenses. A capa é do conceituado e festejado fotógrafo Floriano Lima.
Organizada por Mauro Guilherme, inicialmente estava previsto o lançamento do livro físico em uma grande noite cultural na Biblioteca Pública Elcy Lacerda, no entanto, por causa da epidemia, a festa de lançamento teve que ser adiada, mas a versão digital está no ar e à venda por apenas R$ 10 . “Estamos primeiramente publicando o livro como e-book, seja porque a obra foi terminada em tempos da pandemia do novo coronavírus, seja porque reconhecemos que o livro digital se transformou em uma nova forma de aproximar o escritor do leitor, em qualquer canto do país ou do planeta“, explica Mauro Guilherme.
Organizador de várias coletâneas, dentre as quais “Poetas na Linha Imaginária”, “Quinze Dedos de Prosa” e “Poesia na Boca do Rio”, Mauro Guilherme diz que não entende literatura sem livro, escritor sem obra, nem formação literária sem leitura, daí sempre incentivar os escritores a publicarem suas obras “caso contrário o livro, que morria na gaveta, morrerá nos computadores”.
Ele ressalta que os textos dessa antologia demonstram que a crônica pode viajar por várias estradas diferentes, sem que deixe de ser crônica. Pode ser lírica e intimista como uma poesia, pode ser profunda como um conto, pode ser regionalista, pode ser universal, enfim, todo este universo literário está presente em “Cronistas na Linha do Equador”, da qual participam Mauro Guilherme, Alcinéa Cavalcante, Bruno Muniz, Cléo Araújo, Elton Tavares, Neth Brazão, Osvaldo Simões, Paulo Tarso, Raquel Braga e Rui Guilherme.
Estreando no mundo dos livros, o jornalista Elton Tavares (que vai lançar seu primeiro livro solo depois da pandemia) diz: “É minha estreia como escritor em livro, ainda que seja em e-book. Quando perguntam qual a minha profissão, digo que sou jornalista, assessor de comunicação e editor de um site. Mas que, um dia, gostaria de ser escritor. Pois é, me tornei, de fato, escritor e estou feliz com isso.”
A Balança e a Pena
Lançada no início do mês nas plataformas, a coletânea A Balança e a Pena reúne contos, poesias e crônicas de sete promotores de Justiça e um procurador de Justiça, todos do Ministério Público do Amapá.
Mauro Guilherme conta que há muito tempo tinha o desejo de reunir textos de membros do MP-AP, uma vez que já conhecia as publicações dos pares na literatura amapaense, como Flávio Cavalcante que mantem um site de crônicas e participação em antologias poéticas. Ele lembra que os operadores do Direito, desde longa data transitam pela Literatura, como ocorreu com Tomás Antônio Gonzaga, Inglês de Souza, Tobias Barreto e Rui Barbosa, dentre tantos outros. A Balança e a Pena está sendo vendida ao preço simbólico de dois reais, no site da amazon.com
Um Jabutizão
Sempre que vejo um fusca lembro de uma historinha que o Alípio Junior me contou jurando que é verdade. Bom, segundo o Alípio, numa comunidadezinha lá nas brenhas – onde nunca passava um carro – um dia o pessoal ouviu um barulho estranho e correu pra ver o que era. Era um fusca. E todo mundo apontava e exclamava: “ulhaaaaaa! ulhaaaaaaaa! é um jabutizão!“ E aqui eu fico imaginando que quando o Fusca parou e o pessoal que estava dentro começou a descer, o povo se armou de pau, terçado e enxada e partiu pra cima do carro para destruí-lo. Ora, um jabuti desse tamanhão já era muito estranho. Mas o pior de tudo é que o jabutizão comia gente e depois vomitava-as inteirinhas por dois buracos que se abriam na lateral do casco. Tá é besta que aquele povo ia deixar esse bicho – que parecia coisa do outro mundo – ficar vivo andando por aí pra comer mais gente. Jamais! Como um “causo” puxa outro, lembrei também da primeira vez que um helicóptero passou num interiorizinho distante, muito isolado. O povo quando ouviu o barulho, olhou pro céu e viu aquilo, saiu em desabalada carreira pra se esconder na mata gritando: “Socooooooooorro! Socooooooooooooorro! Um gafanhotão quer pegar nós”.
Curtinhas
Perdidos
Sem poder fazer campanha no corpo-a-corpo por causa do isolamento social, tem muito pré-candidato a vereador mais perdido que chinelo de bêbado por não saber usar as redes sociais para dar seu recado.
1. Quadrilhas
Por causa da pandemia, este ano a cidade não terá a animação das quadrilhas juninas e folguedos de São João.
Só mesmo as quadrilhas dos gatunos do dinheiro público estão em plena atividade. Não temem o novo coronavírus. Aliás se aproveitam dele para fazer mexilhagem.
Você sabia?
Cada litro de óleo de cozinha usado jogado no ralo é capaz de poluir 20 mil litros de água.
Em alguns estados as donas de casa coletam esse óleo em garrafas pet e encaminham para Ongs, instituições ou pequenas indústrias que usam esse óleo na produção de sabão.
Adubo
No início da década de 1990, primeira legislatura da Assembleia Legislativa do Amapá, um deputado de oposição ao governo Barcellos, usou a tribuna para mostrar que o Amapá era um dos piores estados no quesito saneamento básico.(E ainda hoje é assim) Em seu discurso, o parlamentar enfatizou que era inadimissível que na última década do século XX praticamente tantos quintais ainda tivessem fossas. A rede de esgoto atingia menos de um por cento da população. Um deputado da base aliada do governo pediu um aparte e assim se manifestou: – Eu, como engenheiro agrônomo, quero dizer ao nobre colega e ao povo que lota as galerias dessa Casa que as fossas são muito mais importantes que rede de esgoto. E explico: a merda é o melhor adubo que existe, portanto nos quintais que têm fossa se o cidadão fizer hortas e plantar árvores frutíferas em pouco tempo estará colhendo frutas, verduras e legumes fresquinhos e sem agrotóxicos. Isso preserva a saúde e representa uma grande economia para a dona de casa que não precisa gastar dinheiro nem na feira nem no médico.
Alcinéa Cavalcante
Jornalista e Escritora