Não há qualquer debate sobre a prevenção de eventos naturais como el Nino, la Nina, supervulcões, vulcões submarinos, deslocamento das placas tectônicas, alterações do eixo do planeta ou quaisquer outros, até porque seria enorme perda de tempo por não termos qualquer tecnologia ou poder para evita-los, o reconhecimento desse fato seria uma demonstração de humildade científica. Os cientistas precisam urgentemente ‘baixar a bola’ e diminuir a arrogância e a pretensão.
O que não consigo verificar são estudos e ações científicas destinados a proteger a humanidade dos eventos, sejam por responsabilidade humana ou naturais. As alterações estão acontecendo e independentemente das causas a humanidade precisa ser protegida, é uma questão de sobrevivência. Os seres humanos tem conseguido sobreviver na face do planeta ao longo das eras sem qualquer intervenção científica. Hoje somos privilegiados porquanto evoluímos em todos os ramos da ciência e na tecnologia.
Volto a repetir a frase de Edward Young, poeta inglês – “as pessoas acham que todos são mortais, exceto elas mesmas”. Acredito que o nosso planetinha está reprisando fenômenos naturais já registrados na sua existência pregressa. Em 22 de agosto de 2022 a Reuters publicou a reportagem de David Stanway e Zhang Yan em Xangai, Martin Quin Pollard em Pequim – Sudoeste escaldante da China estende restrições de energia à medida que seca e onda de calor continuam – que transcrevo trechos:
“As regiões devastadas do sudoeste da China estenderam as restrições ao consumo de energia nesta segunda-feira, enquanto lidam com a diminuição da produção de energia hidrelétrica e o aumento da demanda doméstica de eletricidade durante uma longa seca e onda de calor. Os meteorologistas estaduais emitiram um “alerta vermelho” de calor pelo 11º dia consecutivo na segunda-feira, uma vez que o clima extremo continua a causar estragos no fornecimento de energia e danos às plantações. Eles também elevaram o alerta nacional de seca para “laranja” – o segundo nível mais alto.
O Centro Meteorológico Nacional disse que 62 estações meteorológicas, de Sichuan, no sudoeste, a Fujian, na costa sudeste, registraram temperaturas recordes no domingo. A situação pode melhorar a partir de quarta-feira, com a entrada de uma frente fria na China via Xinjiang.
A região de Chongqing, que atingiu temperaturas de 45 graus Celsius (113 graus Fahrenheit) no final da semana passada, anunciou que o horário de funcionamento de mais de 500 shoppings e outros locais comerciais seria reduzido a partir de segunda-feira para aliviar a demanda de energia.
Os shoppings da lista contatada pela Reuters na segunda-feira confirmaram que receberam o aviso do governo e cumpririam as regras. Dois hotéis da lista disseram que ainda estão operando normalmente, mas restringirão o uso de ar-condicionado. Na província vizinha de Sichuan, uma grande geradora de energia hidrelétrica, as autoridades também estenderam as restrições existentes aos consumidores de energia industrial até quinta-feira, informou o serviço de notícias financeiras Caixin no domingo. A geração de energia em Sichuan está apenas na metade do nível normal após um declínio maciço nos níveis de água.Caixin citou empresas do setor de baterias dizendo que os usuários de energia industrial nas cidades de Yibin e Suining foram instruídos a permanecer fechados até quinta-feira.
Sichuan – um importante fornecedor de energia para o resto do país – colocou recentemente em operação uma nova base de armazenamento de carvão para garantir que suas usinas térmicas possam operar sem interrupções. No entanto, cerca de 80% de sua capacidade instalada é hidrelétrica, tornando-a especialmente vulnerável às flutuações no abastecimento de água.”
O artigo publicado pela Reuters nos conscientiza, diante da seca instalado em vários países e me faz lembrar da grande seca que ocorreu no período de 1876-1879 e vitimou milhões de pessoas no mundo:
A grande seca de 1876-1879 teve uma magnitude verdadeiramente planetária: Java, Filipinas, Nova Caledônia, Coreia, Brasil, África do Sul e o Magreb. Essa dimensão global, que passou despercebida por mais de um século para nós historiadores, não o foi para muitos dos viajantes, cronistas, economistas, políticos que, no final da década de 1870, analisaram, escreveram, fotografaram, relataram a “calamidade da seca” – Sei ELO Brasil.
Uma coisa é certa não estamos suficientemente preparados para enfrentar catástrofes como a seca em nível mundial evitando as mortes decorrentes. Outro aspecto do artigo corrobora a necessidade da energia elétrica tradicional (combustíveis fósseis e nuclear), independentemente, das energias eólicas solares ou hídrica como um enorme fator de contribuição para a proteção e segurança. Os alertas, não importando a coloração, não são suficientes para a nossa proteção. Os governos e os cientistas podem até alegar que alertaram para que nos protegêssemos e aí? Quais a proteções disponíveis?