O Amapá apresenta os maiores índices de distorção idade-série da Região Norte, tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio da rede pública. Os dados são do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), elaborados com base no Censo Escolar da Educação Básica, e revelam um cenário preocupante para a educação no estado.
A distorção idade-série é um indicador que mede o percentual de estudantes que estão dois ou mais anos atrasados em relação à série considerada adequada para sua idade. Na prática, isso significa que o aluno permanece na escola, mas não consegue avançar conforme a trajetória escolar prevista, geralmente em razão de reprovações consecutivas ou interrupções dos estudos.
Pela regra da educação básica, a criança deve ingressar no 1º ano do ensino fundamental aos 6 anos de idade e concluir o ensino médio aos 17 anos. Quando essa diferença ultrapassa dois anos, o estudante passa a integrar as estatísticas da distorção idade-série.
No ensino fundamental da rede pública, o Amapá registra índice de 22,5%, o maior da Região Norte. Isso significa que mais de dois em cada dez estudantes estão atrasados em relação à série que deveriam estar cursando.
A situação é ainda mais preocupante no ensino médio. O levantamento aponta índice de 32,2%, indicando que quase um em cada três alunos possui atraso escolar de pelo menos dois anos. O percentual supera os registrados nos demais estados da região, como Pará (30,2%), Amazonas (26,5%), Acre (24,7%), Roraima (23,7%), Rondônia (13,8%) e Tocantins (10,7%).
Segundo especialistas, a distorção idade-série está diretamente relacionada a fatores como repetência, evasão escolar, dificuldades de aprendizagem, vulnerabilidade social e interrupções na trajetória educacional. O problema também pode impactar o desempenho dos estudantes, aumentar o risco de abandono da escola e reduzir as oportunidades de acesso ao ensino superior e ao mercado de trabalho.
Brasil registra avanço, mas Amapá ainda enfrenta desafios
Enquanto o Amapá lidera os índices negativos da Região Norte, o levantamento mostra que o Brasil vem reduzindo gradualmente a distorção idade-série nos últimos anos.
No ensino fundamental da rede pública, a taxa nacional caiu de 18,7% em 2019 para 11,3% em 2025. Já no ensino médio, o índice passou de 28,9% para 17,6% no mesmo período.
A Região Norte também apresentou melhora. No ensino fundamental, a taxa foi reduzida de 26% para 17,2%, enquanto no ensino médio caiu de 42,1% para 25,6%.
Apesar desse avanço regional e nacional, os números mostram que o Amapá permanece acima da média e continua enfrentando desafios para garantir a permanência dos estudantes na escola e assegurar que avancem nas etapas de ensino na idade adequada. O cenário reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à redução da evasão escolar, ao combate à reprovação e ao fortalecimento da aprendizagem na educação básica.

