Há pessoas que, quanto mais caminham pelos corredores do poder, mais se tornam alvo da suspeita preguiçosa. Não por seus atos, mas pela caricatura que delas se faz. Silvio Assis é desses personagens que o mau jornalismo adora simplificar: vive em Brasília, circula entre autoridades da República, atua como lobista — palavra que, por aqui, ainda provoca arrepios morais em quem prefere a hipocrisia à transparência.
Mas quem conhece Silvio para além das manchetes sabe que ali há fino trato, coração generoso e amizade de boa cepa. Silvio tem algo cada vez mais raro na vida pública brasileira: palavra cumprida. E mais — um ambiente de trabalho que se abre como casa hospitaleira, com mesa farta e escuta atenta, para todos os que o procuram, sem distinção de cargo, partido ou ideologia.
Governadores, ministros de Estado, senadores, deputados federais, procuradores, líderes partidários e outras personalidades compõem seu círculo de relações. Não por conspiração, mas por convivência. Não por tráfico de sombras, mas por trânsito à luz do dia. Em Brasília, onde a política se faz no encontro e no diálogo, demonizar relações é, no mínimo, desconhecer — ou fingir desconhecer — a própria engrenagem da República.
Ainda assim, basta que Silvio seja visto ao lado de um amigo, fazendo compras fora do Brasil, para que surjam manchetes cinzentas — textos fabricados não para informar, mas para insinuar. É o jornalismo da inveja: escrito sob letras e palavras que só agradam a quem pensa igual, construído para agradar bolhas e alimentar ressentimentos. Um jornalismo que não investiga: deduz. Não apura: sugere. Não esclarece: condena.
Winston Churchill, que conhecia bem a crueldade da opinião apressada, deixou uma advertência que atravessa gerações: “A mentira dá a volta ao mundo enquanto a verdade ainda calça os sapatos.” H. L. Mencken foi ainda mais ácido e preciso: “O objetivo prático do jornalismo é manter a população alarmada, apontando uma série contínua de fantasmas, a maioria deles imaginários.” Nada descreve melhor o método de quem transforma convivência em suspeita e amizade em pecado.
Convém lembrar — sobretudo aos moralistas de ocasião — que nos Estados Unidos, pátria-mãe do capitalismo e referência institucional do Ocidente, a atividade de lobby é legalizada, regulamentada e amparada por lei. Lobistas se registram, prestam contas, declaram interesses e atuam sob regras claras. O que lá se chama transparência, aqui ainda se tenta encobrir com a demonização seletiva. O Brasil não precisa de menos lobby; precisa de lobby à luz do dia, com controle público e responsabilidade institucional. Criminalizar a atividade é manter o jogo no escuro; regulamentá-la é fortalecer a democracia.
Silvio Assis, com suas virtudes humanas e sua atuação profissional, é menos um problema do que um espelho. O que incomoda não é sua proximidade com o poder, mas o fato de exercê-la sem máscaras, sem cinismo e com hospitalidade — essa forma antiga, civilizatória e quase subversiva de fazer política pelo encontro, pela palavra e pelo respeito.
No fim, como anuncia o título, todo mundo parece mau… quando a história é mal contada. Quando se troca apuração por insinuação, ética por moralismo raso, jornalismo por fofoca.
A Silvio Assis fica, portanto, o gesto público de solidariedade dos que conhecem o valor do caráter antes do ruído das manchetes. Que a amizade siga sendo abrigo contra a maledicência, e que a verdade — ainda que caminhe mais devagar — continue encontrando lugar à mesa, entre o diálogo franco e a consciência tranquila de quem anda de cabeça erguida e cumpre a palavra.
Cumpre ainda assinalar, com a serenidade dos fatos, que Silvio Assis, além de jornalista há plurais décadas, exerce suas atividades de forma lícita, transparente e institucionalizada: possui CNPJ, atuando no campo das Relações Governamentais (RelGov), berço legítimo que acolhe o lobby democrático, o diálogo qualificado e a mediação responsável entre interesses sociais, econômicos e o Estado. Em democracias maduras, esse espaço não é antessala da suspeita, mas arena pública de negociação legítima, regida por normas, ética e responsabilidade. O que conspurca esse ambiente não é a atividade em si, mas o jornalismo mal intencionado, que abdica da apuração rigorosa para flertar com a insinuação fácil — prática nociva à boa informação e corrosiva à própria democracia, pois transforma ruído em notícia e fofoca em versão oficial dos fatos.
Feliz Ano Novo, meu amigo. Que o novo tempo lhe traga saúde, serenidade e renovada esperança. Que 2026 seja generosa, justa e luminosa — como o coração aberto com que você acolhe os outros.


