A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (8) a Operação Doppelgänger, uma ação que mira um possível esquema de fraude eleitoral registrado durante o primeiro turno das eleições municipais de 2024, em Macapá.
A investigação concentra-se na comunidade Lontra da Pedreira, localizada na zona rural da capital amapaense, onde agentes federais cumpriram mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Eleitoral.
A operação é resultado de meses de levantamento de informações e cruzamento de dados eleitorais considerados suspeitos pelos investigadores. Segundo a PF, as irregularidades teriam ocorrido em uma seção eleitoral específica da localidade, onde foram detectadas inconsistências que levantaram suspeitas de fraude na identificação dos eleitores.
Entre os principais indícios encontrados está a existência de registros de cidadãos que aparecem simultaneamente como votantes e também como autores de justificativa eleitoral no mesmo turno das eleições, uma situação considerada incompatível pelo sistema eleitoral brasileiro.
Para os investigadores, esse tipo de ocorrência pode indicar utilização indevida de dados pessoais ou até mesmo votação realizada por terceiros.
Outro ponto que chamou atenção da Polícia Federal foi a quantidade considerada anormal de votos computados sem validação biométrica.
Embora o sistema permita, em situações excepcionais, a liberação manual da votação sem biometria, o número elevado de casos em uma única seção passou a ser tratado como um forte indicativo de irregularidade.
A principal linha de investigação aponta para a hipótese de que pessoas possam ter votado se passando pelos verdadeiros eleitores, prática que configura crime eleitoral grave.
A PF agora busca identificar quem teria participado do suposto esquema, se houve organização prévia e se outras pessoas podem estar envolvidas.
Durante o cumprimento das medidas judiciais, os agentes recolheram materiais que passarão por perícia, incluindo aparelhos eletrônicos, documentos e possíveis arquivos digitais relacionados ao caso. O conteúdo apreendido deverá auxiliar no rastreamento de comunicações, identificação de suspeitos e reconstrução da dinâmica dos fatos investigados.
A Polícia Federal não divulgou, até o momento, nomes de investigados nem detalhes sobre possíveis alvos específicos da operação, alegando necessidade de preservação do andamento das investigações.
O nome da operação, “Doppelgänger”, palavra de origem alemã que significa “sósia” ou “duplo”, faz referência justamente à suspeita de que indivíduos tenham assumido a identidade de eleitores para votar no lugar deles.
Caso as irregularidades sejam confirmadas, os envolvidos poderão responder por crimes como falsidade ideológica eleitoral, votação em nome de terceiros e outras infrações previstas na legislação eleitoral brasileira.
As penas podem incluir prisão, multa e inelegibilidade, dependendo da participação e da gravidade das condutas apuradas.
A operação reacende o debate sobre a segurança do processo eleitoral e o controle dos mecanismos de identificação dos eleitores, especialmente em áreas mais afastadas dos grandes centros urbanos.
A Justiça Eleitoral e os órgãos de investigação devem continuar acompanhando o caso até a conclusão do inquérito.

