Quase um ano após a localização do corpo do personal trainer Daniel Cesar Del Castilho da Silva, de 36 anos, a Polícia Civil do Amapá concluiu a investigação sobre o caso e indiciou o soldado da Polícia Militar Gilvan Endryl Seixas Barros pelo homicídio.O policial também foi indiciado pela participação em um roubo cometido em um estabelecimento comercial na zona rural de Macapá.
De acordo com as investigações da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Daniel saiu na companhia de Gilvan no dia 6 de setembro de 2025. Durante o trajeto, o personal trainer teria sido assassinado com um tiro na cabeça. Após o crime, o suspeito teria permanecido com o carro da vítima por aproximadamente uma semana.
Carro da vítima circulou por Macapá e pelo interior
Segundo o delegado José Mário Carneiro, responsável pela investigação, imagens e outros elementos obtidos pela polícia mostram Gilvan utilizando o veículo de Daniel durante os dias seguintes ao desaparecimento. O carro teria sido usado inclusive para deslocamentos relacionados à rotina do policial.
A investigação identificou registros do veículo em diferentes pontos de Macapá e no interior do estado. Entre os locais onde o automóvel foi visto estão as proximidades de um quartel da Polícia Militar.
A situação veio à tona no dia 12 de setembro, quando Gilvan teria se envolvido em um acidente de trânsito utilizando o carro de Daniel. Após a colisão, ele fugiu do local. A vítima do acidente conseguiu anotar a placa do veículo e iniciou uma tentativa de localização, chegando até a família do proprietário.
O contato causou surpresa aos familiares de Daniel, que já haviam registrado o desaparecimento e não tinham informações sobre o paradeiro do personal trainer.
Polícia relaciona carro a assalto
No dia seguinte ao acidente, 13 de setembro, o veículo voltou a aparecer em outra ocorrência. Segundo a Polícia Civil, Gilvan e outro homem, identificado como Alan, participaram de um assalto a um mercantil localizado no distrito de Abacate da Pedreira, na zona rural de Macapá.
As vítimas informaram à polícia que um dos assaltantes usava uma farda da Polícia Militar. Durante a abordagem, Gilvan foi localizado vestindo o uniforme da corporação e portando uma pistola calibre .40 com carregador, além de um simulacro de arma de fogo do tipo airsoft.
O segundo suspeito usava roupas semelhantes às utilizadas pelas Forças Armadas. Alan foi preso pela participação no roubo, mas, conforme a investigação, não existem elementos que indiquem envolvimento dele na morte de Daniel.
Dados de celulares ajudaram a esclarecer o caso
Mesmo após a prisão relacionada ao assalto, a Polícia Civil continuou investigando o desaparecimento e a morte do personal trainer. Segundo o delegado José Mário Carneiro, a equipe conseguiu autorização judicial para acessar dados telemáticos e cruzar informações de localização.
Os investigadores analisaram os deslocamentos de Gilvan, as pessoas com quem ele manteve contato e informações extraídas do celular da própria vítima. O cruzamento desses dados, segundo a polícia, ajudou a estabelecer a ligação entre o policial e o homicídio.
Com a reunião dos elementos, a Polícia Civil concluiu que Gilvan foi o responsável pela morte de Daniel e formalizou o indiciamento.
Motivação do crime ainda é desconhecida
Apesar de apontar a autoria, a investigação não conseguiu esclarecer o que teria motivado o assassinato.
Segundo o delegado, Daniel ajudava Gilvan na preparação para o Teste de Aptidão Física (TAF) da Polícia Militar. A relação entre os dois foi confirmada durante as investigações, mas não foi identificada uma razão concreta que explicasse o homicídio.
Em interrogatório, Gilvan apresentou uma versão diferente. Ele afirmou que Daniel teria sido executado por um suposto agiota, que teria tomado sua arma e cometido o assassinato.
O policial alegou ainda que deixou o local com o carro da vítima porque estaria assustado. No entanto, a versão não explicou, segundo a polícia, por que ele permaneceu aproximadamente uma semana utilizando o veículo sem comunicar o desaparecimento de Daniel à família ou às autoridades.
Suposto agiota foi investigado
A Polícia Civil chegou a investigar o homem apontado por Gilvan como possível autor do crime. O suspeito foi localizado e ouvido pelos investigadores, e seus dados também foram analisados.
No entanto, conforme o delegado José Mário Carneiro, nenhuma evidência foi encontrada que ligasse esse homem ao assassinato. Para a polícia, a hipótese apresentada pelo policial não foi confirmada pelas provas reunidas durante o inquérito e passou a ser considerada uma estratégia de defesa.
Com o encerramento da investigação, a Polícia Civil manteve o entendimento de que Gilvan é o responsável pelo homicídio.
Relembre o caso
Daniel Cesar Del Castilho da Silva, de 36 anos, foi encontrado morto no dia 12 de setembro de 2025, às margens da rodovia AP-70, em Macapá. O corpo estava em avançado estado de decomposição, dificultando inicialmente a identificação e a reconstrução dos últimos momentos da vítima.
O carro modelo Chevrolet Onix, pertencente ao personal trainer, não estava no local onde o corpo foi encontrado.
Dias depois, o veículo foi identificado durante a investigação de um assalto a um estabelecimento comercial. A informação de que um dos envolvidos estaria usando farda da Polícia Militar levou os investigadores a aprofundarem a apuração.
A partir do rastreamento do veículo, das imagens, dos dados telemáticos e de outras informações reunidas durante o inquérito, a Polícia Civil conseguiu conectar o carro ao desaparecimento de Daniel e chegar à autoria apontada para o policial militar.
Gilvan permanece preso no Centro de Custódia do Estado, em prisão especial em razão da condição de policial militar. Com a conclusão do inquérito, ele responderá pelos crimes atribuídos pela Polícia Civil, cabendo agora à Justiça analisar as provas e dar prosseguimento ao processo.

