Ainda ontem, visitando seus túmulos, tive uma bela conversa com o Carlos, que me parabenizou pelos meus versos e sobre eles, me deu alguns conselhos com aquele aconchego mineiro de sempre, que claro, anotei-os todos, e me perguntou sobre o que o Fernando teria achado.
Disse-lhe: “bem, o Fernando, meio que surpreso, arregalou os olhos e disse bem baixinho:
“Por que eu não escrevi esses versos?”
“E aí, o que disseste?”, perguntou o Carlos.
“Ué, nada! Partindo dele, nossa! Fiquei orgulhoso. Ele me fez algumas recomendações. Anotei tudo!”
Eu o compreendo; poetas são assim mesmo; através das letras, creem e são os mais fiéis tradutores das fraquezas humanas.
Paulo Rebelo, o médico poeta da Linha do Equador.
P.S. “Carlinhos” é o Carlos Drummond de Andrade e o “Fernando” é Fernando Pessoa, meus amigos pessoais de longa data.