Quem tu esperas, oh, Bela? Quem tu espreitas, oh, Fera?
Quais teus caminhos e por onde avizinhas luzes e quimeras?
O que te reserva o idílio do lume trepidante do desejo? A ti que és bela, a ti que és fera… O incêndio é fato quando o encontro é ato de corpos e enlace de rotas. Serás chama ou carvão, braseiro ou cinzas no transcorrer dos dias idos e findos?
Amar é encanto. Amor correspondido é festa delirante. As promessas são tantas que até a natureza explode em bonanças, são brindes, taças cruzadas a saudar vidas que se enlaçam…
Por que chora a mãe de noiva tão bela em florida capela? Será a emoção de uma alegria revivida ou a lembrança de que fraudes há na vida. Ou, como versou Florbela Espanca, seria o amor “um engano que morre… e logo aponta a luz doutra miragem fugidia…”
Olho o casal sorrindo, os convivas sorrindo, a música envolvendo os ares e pensamentos. Nos jornais as manchetes estampam a realidade do dia a dia – atingimos, no país, recorde de divórcios.
Mortal variante, a realidade é mais cruenta e impiedosa com os corações enamorados – divórcios já são soluções, embora muitas vezes dolorosas, o que mais destrói sonhos são os relacionamentos abusivos. Eles destroem vidas. Eles quando físicos são visíveis, mas, quando psicológicos, deixam cicatrizes escandalosas causadoras de muitas dores e suicídios.
Quem é a Bela? Quem é a Fera? Como saber? Namoros, relacionamentos, casamentos…são loterias. Há de se ter atento olhar aos dias que se seguem, aos atos e conexões com os saberes da vida explicativa – manipulações não são gestos de carinho, posse não é cuidado, respeito a tua individualidade é do amor o caminho.
Então, como a poetisa, chegaremos um dia à condição de “Fazer do amor que parte o claro riso doutro amor impossível que há de vir”, sem tragédias, crimes ou castigos.