Nesta sexta-feira, 4, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, com várias condições, a importação excepcional e temporária de Covaxin, da Índia, e da Sputnik V, da Rússia. A decisão desta sexta-feira vale apenas para lotes específicos de imunizantes trazidos de fora e não configura autorização de uso emergencial pela agência. A Sputnik V foi requisitada por seis estados: Bahia, Maranhão, Sergipe, Ceará, Pernambuco e Piauí. A Covaxin faz parte de uma encomenda do Ministério da Saúde.
Segundo o diretor da agência Alex Machado Campos, as duas vacinas só poderão ser aplicadas em adultos entre 18 e 60 anos sem comorbidades, gestantes, lactantes e puérperas, bem como mulheres que pretendem engravidar nos próximos meses, não podem receber os imunizantes.
A solicitação foi concedida após a apresentação de documentos exigidos pela Anvisa. Esta é a segunda vez que os imunizantes passam pela análise dos diretores da agência. Da primeira vez, ambas foram negadas.
Jenssen ainda em junho
Também nesta sexta-feira, 4, dia em que o Brasil passou dos 470 mil mortos pela covid-19, o Ministério da Saúde informou que o país obterá um adiantamento de vacinas contratadas da Janssen, braço farmacêutico da Jonhson & Johnson. Serão antecipadas três milhões de doses, com previsão de entrega ainda em junho. O total contratado com a empresa é de 38 milhões de doses, mas o envio só começaria no quarto trimestre desse ano.
A vacina da Janssen já tem registro de uso emergencial na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e é aplicada com apenas uma dose. Dessa forma, a remessa adiantada ao Brasil será suficiente para imunizar três milhões de pessoas.
Em outra frente, o Ministério da Saúde pretende assinar em breve a intenção de compra da vacina da Moderna. O plano é adquirir até cem milhões de doses do imunizante, começando as entregas em de outubro. O preço em discussão seria em torno de US$ 15 a dose (cerca de R$ 75, na cotação de ontem). O preço é considerado competitivo, tendo em vista que a vacina já teria sido prospectada com valores mais elevados meses atrás. Os cronogramas publicados anteriormente pelo ministério em sua página na internet citavam a Moderna, mas o laboratório foi retirado das previsões em meados de abril porque as negociações estavam travadas.
A aquisição de diferentes vacinas é uma frente da gestão do ministro Marcelo Queiroga, que assumiu a pasta da Saúde em março, tendo em vista que as poucas opções de imunizantes vêm resultando na lentidão da vacinação no Brasil. Duas das três vacinas em uso no país, AstraZeneca e CoronaVac, tiveram suas produções temporariamente suspensas pela Fiocruz e pelo Butantan em maio devido a dificuldades de recebimento de insumos para a fabricação.

