A autônoma Flaviane Pereira de Sousa, 23 anos, entrou com o pedido de medida cautelar. A jovem é filha de Tatiane Pereira da Silva, morta em abril de 2021, vítima de feminicídio. Flaviane comprou o carro um mês após a morte da mãe, com o objetivo de cuidar do irmão mais novo.
À época da morte da mãe, o irmão de Flaviane, que sofre de Síndrome do X Frágil e autismo, tinha 3 anos. A condição do menino o obriga a ir ao médico pelo menos três vezes ao mês. Após o assassinato de Tatiane, a filha mais velha ficou com a guarda do pequeno.
“Comprei um carro para ficar mais fácil. Tem hospitais que são longe e fica difícil ir de ônibus”, contou a mulher. Além disso, ela diz que ter o carro próprio já era um sonho antigo, mas que antes da morte da mãe, não era a prioridade.
Sonho se tornou pesadelo
A empresa condenada atua na Cidade do Automóvel e foi um dos alvos da Operação Senhor do Tempo, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) em setembro de 2021. A investigação apurou esquemas de adulteração de quilometragens em centenas de veículos.
O nome da operação faz alusão ao suspeito contratado pelas empresas para reduzir os números marcados pelo hodômetro, o sistema de contagem da distância percorrida por veículos. De acordo com as investigações, o homem cobrava R$ 100 dos lojistas por cada adulteração.
Durante a apuração, iniciada em abril do ano passado, os policiais da Divisão de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos (DRFV) identificaram que o falsificador chegava a reduzir a quilometragem de até 25 carros por dia. O criminoso costumava chegar à Cidade do Automóvel por volta de 10h e permanecia no local até as 18h, atendendo aos chamados feitos por meio do telefone.

