Festina lente, dizem os historiadores, é oximoro latino proferido por Cesar Augusto, imperador romano, que traduz a ideia de fazer algo rápido, porém não apressado, de maneira a não prejudicar o resultado final. Significa dizer que embora a rapidez seja importante, não define o escopo final que é a obra em si. O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, e o governador eleito, Clécio Luís, são os destinatários dessa máxima, contida no famoso oximoro latino. Suas correspectivas árduas missões para implementar as ações necessárias para consecução de seus planos de governo, conquanto exijam pressa, têm que ser feitas devagar.
O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, segundo relatório da equipe de transição, encontra um país em total desmonte. Lula iniciou seu governo antes mesmo da posse para construir saídas para cumprir uma das pautas mais importantes de sua campanha que é manter o auxílio Brasil no valor de R$ 600,00. Para isso, teve que acionar o congresso para aprovar, às pressas, uma PEC, eis que o atual presidente, numa irresponsabilidade “patriótica”, não tomou as medidas pertinentes para continuação do pagamento do benefício no exercício seguinte, muito embora, pasmem, fosse, também, sua bandeira de campanha. Isso valeu um primeiro embate com um congresso empoderado, que teve o privilégio de executar o orçamento secreto, ante o comportamento de um presidente que, em obséquio a sua celebrada vadiagem, abriu mão de suas atribuições institucionais. Assim, o presidente teve que agir com pressa, mas devagar.
Clécio Luís, governador eleito, por sua vez, faz uma transição tranquila, eis que o governador Waldez Góes foi seu aliado de campanha. Seu desafio é fazer a composição de sua equipe alinhada com seu plano de governo. Para tanto, já deu evidente sinais de que fará uma “estadualização” de seus colaboradores na gestão municipal, aproveitando ainda alguns quadros do atual governo. Como se observa, Clécio Luís navega em águas calmas e iniciará o governo sem o desgaste de uma transição complicada. Isso, contudo, não lhe subtrai a advertência de que deva se conduzir “festina lente” nos primeiros dias de governança.
Se Lula, pelos percalços provocados pelo atual governo, teve de assumir o governo antes mesmo da posse, padecendo, assim, de uma orientação pragmática que lhe impõe pressa, isso, contudo, não pode ser desvirtuado para práticas atabalhoadas que possam comprometer o início da gestão. Clécio Luís, de outro lado, ante o mar sem turbulências, propício para qualquer marinheiro, mesmo os de primeira viagem, não pode fazer desse cenário um campo propício para a temida procrastinação, que, de tão abjeta, virou uma espécie de patologia não reconhecida. Assim, como um imperativo das escolhas populares reveladas nas urnas, ávidas por governanças sintonizadas com seus anseios, que tanto Lula quanto Clécio sigam o caminho prudente ensinado pelo imperador romano Cesar Augusto e apressem-se devagar!
Apressa-te devagar (festina lente)
