O dia amanheceu sem curvas.
A noite adormecera nas sombras, nas águas turvas…
As sombras se recolheram cedo com os alarmes de clarões intrusos.
O céu derramou-se todo em jatos translúcidos de um azul profundo.
Remara seu corpo do leito ao eito da manhã com aroma de café com leite.
Vestira-se de brilhos de sonhos revividos ou extraídos de épicos esquecidos.
Ali, sobre a mesa, a tábua de pães, as geleias abstratas de sabores açucarados… Sorveu de um só gole as lembranças reaquecidas ou realimentadas – saudades.
Estirou o olhar para além das fronteiras do seu portal e vislumbrou, nos dias transcorridos em coloridos tons, danças e canções de amores serenos, súbitos e paixões. Extravasou em sorrisos a genuína alegria pelos caminhos vividos, pelos momentos findos. Estatua fez-se, emoldurou-se em mil faces, talvez usando disfarces… para feliz completar-se de vez.
No silêncio desperto ficou ali sem fluir, qual águas paradas ou pés paralisados, enquanto ouvia de si para consigo um alerta enigmático: “Não te cales, alma minha! Transfigurastes espaços. Será o teu voo o encontro do retorno desejado, expirado. Enquanto um sonho habitar teu sono e fizer de um só salto o teu despertar, haverá amanhã, sempre haverá…