Perdoe-me, afastei-me do foco, falo de amigos que são capazes de com sensibilidade extracorpórea se conectarem as camadas sutis de nossas percepções e mensagens para emergirem em diferentes e inusitadas situações e inspirarem reflexões, constatações e revoluções.
“Descubra as coisas novas no velho caminho.”
Disse-me, em alto e bom som, o amigo distante. Onde o som ficou por conta da minha imaginação.
O que ocorreu é que suas palavras me levaram para um mergulho no rio do filósofo HERÁCLITO DE ÉFESO, “Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou…”
Sim, a Ciência comprova, há inúmeras modificações nas células de meu corpo a todo instante.
E as minhas percepções? Nunca serão as de agora como as de antes ou do instante vindouro… São únicas.
Saio a caminhar nas trilhas do parque e logo ocorre a certeza de que de fato nada é o mesmo que foi ontem, nem o caminho, nem as folhas caídas das árvores, nem a brisa que ontem era vento e hoje é calmaria.
Aliás, nem uma folha do bosque balança em contraste gritante com o cenário do outro dia quando o balançar dos galhos das árvores era delirante ao sopro de um vento sibilante, debulhando pinhas.
“Descubra coisas novas no velho caminho!”
Amigo, não há o caminho velho, ele acabou de surgir neste lapso temporal ao ser trilhado pelos meus passos no agora. E eu sou a recém-nascida a encantar-me com a vida revivida ou reinventada e ressignificada a cada vírgula grafada ou respirar inspirado.