Como se verifica, o presidente Bolsonaro acha o conflito totalmente necessário e prega o agir como máxima de guerra no exercício de seu governo. É difícil imaginar que, como político e militar da reserva, o presidente Bolsonaro não tenha lido e admirado o livro a Arte da Guerra de Sun Tzu. Aliás, é livro de leitura obrigatória ou de lugar de destaque na biblioteca de políticos que se julgam estratégicos. É difícil algum político não afirmar que já leu horror de vezes o livro do general-filósofo. É, no meio político, afirmação de sabedoria. Há de se ver, contudo, que a maioria, na qual se incluiu o presidente Bolsonaro, não entendeu as poderosas mensagens de Lao-Tsé e Sun Tzu.
O presidente Bolsonaro fez de seu governo um palco de luta contra todos, especialmente contra a esquerda e a chamada grande mídia. Como se sabe, ele sucedeu os governos do PT, que foi defenestrado do poder pela mão covarde de uma engrenagem maquiavélica comandada pela dupla Moro e Dallagnol. Eles criaram a pecha de um partido que era uma organização criminosa que arrombava os cofres do Estado sem piedade. Essa narrativa, para usar um termo doce na boca dos bolsonaristas, elegeu o atual presidente. Lula – pelo conteúdo normativo de sentenças nulas – foi parar injustamente no xilindró, ficando impedido de concorrer as eleições. A direita brasileira cresceu e saiu do armário (também para usar um termo doce na boca dos bolsonaristas). Com Lula preso, Bolsonaro, tal qual o sapo das histórias infantis, tinha um lago todinho para curtir tranquilamente seu mandato. Ocorre que o presidente prestigia como poucos uma guerra sem causa.
Essa sua disposição para guerra o desidrata diariamente, cujas consequências são medidas nas pesquisas de opinião. Imaginando que o presidente já tenha lido a Arte da Guerra, suas condutas no exercício do poder revelam um governante de pouca astúcia e distanciado dos ensinamentos da filosofia de Lao-Tsé e dos princípios de Sun Tzu, que pregam que a eficiência máxima do conhecimento e da estratégia é vencer as batalhas sem sangue, ou, nas palavras inteiras do general-filósofo, a maior das habilidades é vencer os inimigos sem lutar. Bolsonaro tinha tudo para fazer isso, mas como não entendeu a lição de Lao-Tsé e Sun Tzu terá que preparar sua pistola para as guerras que procura. Como capitão valentão, mas enferrujado, terá dificuldade nas batalhas.