naquela cerca ali tão preocupada,
não é Condor, Pavão ou Colibri:
Pássaro preto que esse Deus pintou,
não tendo esmero quando o criou,
como no dia em que criou a si!
E assim, criando essa ave escura,
deu-lhe essa sina que ela procura
cumprir fiel…daí, quando devora
toda carniça que já lhe destina,
na solidão da ave de rapina,
desencontrada aquela ave chora…
De ver que ela, exemplo de forte,
teve pra si tão descabida sorte
que a Gavião ou Águia não convém!
E mesmo ainda quando um deles morre
E que já feda é que ela corre,
E se alimenta pra viver também!
O tempo passa e aparentemente,
Como se Deus ou quem lhe tome a frente,
Não visse o sofrimento dessa ave!
Que quer o chão, talvez ele a respeite,
onde mais tarde certamente, deite
em cova rasa que ela mesmo cave…
Que quer o homem como companheiro,
O quintal dele como seu viveiro,
E como o cão, ser seu melhor amigo!
Esse, de sorte que jamais sentiu,
O que ela por si mesmo descobriu,
Desde o momento em que pediu abrigo!
Por que esse homem que ela tanto quer,
Se um dia foi gentil, agora é
O mesmo ente que tem nojo dela!
Daquela ave que nesse momento
Engole todo o seu contentamento
E o lado bom de si que se revela…
Posto que o filho que ela amará
Vai ter a sina sua e que terá
o filho desse filho e o libertino!
Não se pode mudar a natureza:
Se Deus a fez assim, por que a tristeza,
de se mudar de nós nosso destino?
…resignada aquela ave voa,
galga o céu que se desabotoa,
como jamais ousou ficar tão nu!
E nesse céu ela conclui então,
que tanto lá como pisando o chão,
Lá será rei e aqui, o Urubu…