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A Gazeta do Amapá > Blog > Bem Estar > Parar de fumar reduz risco de câncer de pulmão mesmo após anos de consumo
Bem Estar

Parar de fumar reduz risco de câncer de pulmão mesmo após anos de consumo

Redação
Ultima atualização: 1 de setembro de 2026 às 14:44
Por Redação 4 horas atrás
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O cigarro ainda faz parte da rotina de milhões de pessoas no Brasil — cerca de 11,6% dos adultos se declaram fumantes. Como principal fator de risco para o câncer de pulmão, o tabagismo coloca uma questão importante. Interromper esse hábito, mesmo depois de muitos anos, faz diferença?

Conteúdos
Recuperação do pulmãoComo o risco muda ao longo dos anosParar em qualquer fase da vida

A resposta, segundo especialistas, é sim. A redução do risco não é imediata, mas acontece de forma progressiva ao longo do tempo.

“O risco de câncer de pulmão cai pela metade após cerca de sete anos sem fumar e continua diminuindo com o passar dos anos”, explica a pneumologista Kamila Tolomei, do Hospital Alvorada Moema.

Ela ressalta, no entanto, que ex-fumantes ainda mantêm um risco maior quando comparados a quem nunca fumou, especialmente aqueles com histórico prolongado de tabagismo. Por isso, o acompanhamento médico continua sendo indicado mesmo após a interrupção.

Recuperação do pulmão

O organismo também reage de forma rápida à interrupção do cigarro. De acordo com o pneumologista Fabrício Sanches, do Hospital Santa Lúcia, o sistema respiratório tem capacidade de recuperação em diferentes níveis.

“Poucas semanas após parar, os cílios pulmonares voltam a funcionar, ajudando a eliminar impurezas e reduzindo tosse e infecções respiratórias”, afirma. A inflamação crônica dos brônquios também diminui ao longo do tempo.

Nem todos os danos, porém, são reversíveis. Alterações estruturais, como a destruição dos alvéolos no enfisema pulmonar, não se regeneram completamente. Nesses casos, o principal benefício é interromper a progressão da doença.

Como o risco muda ao longo dos anos

Segundo o pneumologista William Schwartz, coordenador do Hospital Santa Lúcia, estudos mostram que, entre 10 e 15 anos após parar de fumar, o risco chega a cerca de metade do observado em quem continua fumando.

“Nos primeiros anos, o risco ainda permanece elevado, em parte porque muitos pacientes param quando o dano já está instalado. Depois, há uma redução progressiva ao longo do tempo”, diz.

Mesmo após décadas sem fumar, ainda pode existir uma pequena diferença em relação a quem nunca teve contato com o cigarro. Ainda assim, os ganhos são significativos.

Os efeitos da interrupção do tabagismo vão além do risco de câncer de pulmão. Em poucos dias, já há melhora na circulação e nos níveis de oxigênio no sangue. Em semanas, a capacidade física aumenta e a falta de ar diminui.

No longo prazo, a redução do risco se estende a outras doenças. “Há queda importante no risco de infarto, AVC e de outros tipos de câncer, como os de boca, esôfago e bexiga”, aponta Sanches.

Parar em qualquer fase da vida

Embora os benefícios sejam maiores quanto mais cedo ocorre a interrupção, abandonar o cigarro traz vantagens em qualquer idade. “Quem para até os 40 anos reduz cerca de 90% o risco de morrer por doenças relacionadas ao tabaco”, afirma Schwartz.

Mesmo em idades mais avançadas ou após o desenvolvimento de doenças associadas ao tabagismo, a decisão ainda impacta a saúde e a expectativa de vida.

Além disso, a mudança também tem efeito coletivo. “Ao parar de fumar, a pessoa reduz os danos para quem está ao redor e pode influenciar outras pessoas a fazer o mesmo”, completa o especialista.

Fonte: Metrópoles

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