O pastor e empresário Guaracy Junior (PSL), que foi candidato ao Senado nas eleições de 2018, articula nos bastidores uma chapa conservadora para disputar a Prefeitura de Macapá. Batizada de “Puro Sangue”, a ala evangélica traz o nome do vereador da capital pastor Didio Silva (Patriotas) para a vice. Ambos são lideranças religiosas evangélicas no Amapá.
Guaracy Jr ainda não aparece nas pesquisas de intenção de voto, mesmo comandando a direção do PSL, considerado o maior partido de centro-direita do país, após a eleição do presidente Jair Bolsonaro. O partido elegeu a segunda maior bancada de deputados federais, perdendo apenas para o Partidos dos Trabalhadores (PT), que ocupa o campo antagônico de polarização pela esquerda no cenário nacional.
Na avaliação dos conselheiros políticos e dirigentes do PSL, uma chapa conservadora pura pode arregimentar parte importante do eleitorado evangélico que votou no bolsonarismo, dando margem para o crescimento e disputa de uma vaga da direita no segundo turno, que possivelmente deve ter no campo da centro-esquerda o ex-senador João Capiberibe. Ele lidera as pesquisas na corrida pelo Palácio Laurindo Banha.
Guaracy e Didio: aliança conservadora
No bastidores, setores religiosos do bolsonarismo tentam articular, além da chapa conservadora com Guaracy Jr como pré-candidato a prefeito de Macapá, o nome do também pastor Didio Silva, que seria indicado pelo Patriotas do ex-presidenciável Cabo Daciolo.
Em 2018, Guaraci Jr obteve cerca de 45 mil votos na disputa para o Senado, mesmo sendo desconhecido. Ele apostou na base do voto neopentecostal do segmento evangélico, que cresceu diante da onda conservadora que varreu o país e tirou a esquerda do poder após 4 vitórias consecutivas do PT e da aliança progressista.
Pastor Didio Silva teve 8.933 votos em 2018, quando disputou o cargo de deputado federal, ficando como 1º suplente da coligação que elegeu a deputada federal Aline Gurgel (Republicanos). O nome de Didio também cresceu após a ampla exposição como apresentador de um programa de TV no SBT, em horário nobre, garantindo ampla visibilidade nas camadas populares por conta da linha policial-comunitária adotada.
Bolsonarismo em disputa por vaga no 2º turno
Apesar de Guaracy Jr ser considerado uma pessoa próxima ao presidente Bolsonaro e uma das principais lideranças da corrente bolsonarista, ligada ao movimento neopentecostal, ele não é o único nome da direita que deve disputar a eleição majoritária em Macapá.
Outros nomes, como o de Cirilo Fernandes (PRTB), que foi candidato ao governo em 2018, pelo PSL, e saiu do partido após perder a disputa e o comando do partido para a ala bolsonarista ligada ao pastor Guaracy, também deve disputar o cargo de prefeito.
Patrícia Ferraz (Podemos), que em 2016 esteve no palanque de Clécio Luís e evita fazer críticas ao governo municipal, focando suas alfinetadas políticas em direção ao governo Waldez, especialmente durante a pandemia, surgiu também como um nome em ascensão do bolsonarismo. Ela prega um discurso próximo daquilo que o eleitor bolsonarista quer ouvir.
Por outro lado, liderando uma ampla coalizão de partidos de centro e da direita, Josiel Alcolumbre (DEM), irmão do presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, já aglutina diversos partidos, e recebeu a declaração de apoio de Flávio Bolsonaro, que chegou a gravar vídeo afirmando que a família Bolsonaro irá apoiar o nome de Josiel na disputa pela PMM.
O nome do médico e deputado estadual Dr. Furlan (Cidadania), apesar de ser considerado de centro, também goza de simpatia de partido do eleitorado de direita e bolsonarista, mesmo não fazendo uma defesa sectária e pública ou entrando na disputa fratricida travada entre Cirilo, Guaracy, Patrícia Ferraz e Josiel, que buscam sempre se alinhar ao discurso de aliados de Bolsonaro em Macapá.
O certo é que o surgimento de mais uma candidatura ligado ao bolsonarismo, capitaneando setores evangélicos pode mudar o quadro pré-eleitoral apresentado na última pesquisa, criando dificuldades para Josiel Alcolumbre, nome apoiado por duas máquinas governamentais e o “queridinho” da família Bolsonaro.
Caso se confirme a aliança conservadora entre o pastor Guaracy Jr e o pastor o Didio, o quadro dentro do curral do bolsonarismo fica muito dividido, abrindo possibilidade de uma zebra dentro da direita para enfrentar Capi, num virtual 2° turno, já que hoje ele teria uma vaga garantida em todos os cenários apontados pelo Instituto Big Data.

