A liderança sempre foi objeto de debates acirrados nos ambientes corporativos, quer sejam do setor público ou privado, exatamente pela importância que encerram nesses recintos. No decorrer da semana que findou duas pessoas foram protagonistas de comentários acerca de seus correspectivos estilos de lideranças nos ecossistemas nos quais atuam. No setor público, o Presidente Bolsonaro teve a experiência de ter elevado seu índice de aprovação junto à população, após dar um tempo no estilo ogro de governar. Já o Clube de Regatas do Flamengo experimentou o gosto amargo da derrota, após trocar o líder Jorge de Jesus, cuja saída desorientou o time e o levou a resultados improváveis.
Pouca gente deve ter analisado essas realidades pela perspectiva da liderança, sobretudo no caso do Presidente Bolsonaro, porquanto por esse ângulo de análise fica prejudicado pelo exacerbado grau de emoção que atualmente contamina a política brasileira, mesmo quando confrontado com assuntos futebolísticos. Na hipótese do treinador Jorge de Jesus é provável que haja um maior número de pessoas que tenha feito essa análise, sob esse enfoque. Contudo, são duas realidades fenomênicas idênticas, em que o estilo de liderança determinou os resultados.
Sabe-se que as características de um bom líder são determinantes para que uma organização alcance os resultados que almeja. Para começar é preciso compreender que líder é uma pessoa dotada de habilidades especiais, capaz de motivar e influenciar os liderados para que de forma voluntária e entusiasta possam alcançar bons resultados, sempre congruentes com os objetivos da organização a qual pertençam. É uma síntese singela diante da importância desse pilar para o sucesso da organização. No caso do Presidente Bolsonaro essa compreensão é fundamental para o futuro do país.
De fato, se a virada de chave no estilo de liderança do Presidente Bolsonaro foi determinante para mudar seu índice de aprovação entre os governados, a consciência dessa realidade pode lhe conduzir, em termos de metas pessoais, a cogitar, inclusive, sua reeleição. De outro lado, essa mudança de postura pode lhe trazer melhores resultados em termos de governança e, como consequência, melhores resultados para a sociedade. É uma lição belíssima, sobretudo quando se sabe que o Presidente imaginava que o seu estilo de liderança autocrática, do tipo quem manda sou eu, era que encantava seus seguidores e como consequência lhe trazia bons resultados, uma visão naturalmente estrábica do poder e da gestão pública, própria de quem veio de uma escola que propugna pela hierarquia e disciplina como pilares do sucesso.
No caso do Flamengo ficou claro que a cúpula da organização não entendeu que a razão do sucesso do clube não era ter um técnico estrangeiro na equipe de futebol, era, na verdade, ter um líder capaz de motivar os jogadores para fazer a melhor entrega, dar o melhor de si, para gerar bons resultados, como fez Jorge de Jesus, capaz, inclusive, de estimular jogadores a entender que a melhor contribuição de um atleta, em determinado momento, é ficar fora do time, apenas motivando seus companheiros. Assim, ao Flamengo resta buscar um líder como Jorge de Jesus, com aptidão para extrair o melhor de seus liderados para levá-lo ao topo. Ao Presidente Bolsonaro incumbe entender que o estilo de liderança que os governados esperam é o que dialoga, realiza e faz entregas, não o ogro que grita palavrão e ri do infortúnio.
Vicente Cruz
Presidente do Conselho de Administração, advogado sênior e Estrategista Chefe do IDAM (Instituto de Direito e Advocacia da Amazônia)