Do outro lado de nosso mundo, para matar tantos assim, a natureza sem inventiva como a nossa, teve que apelar para terremoto seguido de tsunami. Com as tremuras, um mundão de água carregou a tudo e todos. Na garupa do desastre, acrescente-se, uma droga (necessária) de usina atômica que se lascou toda, vindo ainda adicionar doses maciças de radioatividade à desgraceira generalizada. Mais grave registre-se, que achando os oceanos do planeta latas de lixo ou latrinas, os sobreviventes despejaram neles resíduos tóxicos altamente radioativos. E nem avisaram que iam fazer um cocô desse tamanho aos demais vizinhos.
Apesar de tudo, atos de bravura e coragem pipocaram em todos os cantos, o que provocou elogios a tenacidade, resignação e persistência do povo japonês, principalmente pela ausência de reclamações e imediata reconstrução do perdido.
Verdade seja dita, por lá a natureza sempre foi temperamental, castigando com vontade a ilhéus no país do sol nascente. Séculos e séculos de tragédias e catástrofes. Talvez o planeta esteja olhando torto para eles pelo tanto que a agridem matando adoidados tantas baleias e golfinhos que nada fizeram a eles. E mesmo assim, muitos acreditam, que se nosso Brasil fosse dotado de povo tal qual o nipônico, seria fera. Primeirão no mundo, na bala, guerra e paz, que dirá na produção.
Grosseira sacanagem, baixa estima e exagerado sentimentalismo!! Ficamos tolos.
Buscando verdades históricas, imediatamente aprendemos que o que molda o povo, bem mais que a buscada cultura, é o ambiente no qual vive. Este sim, a grande forja da civilização e comportamentos.
No Ártico, bem meio aos antigos esquimós, as mulheres quando viúvas velhas eram largadas bem lonjão no frio para o urso polar comê-las. Passavam a pertencer a cadeia alimentar do gélido, com pouquíssima comida, ambiente ártico. Ainda bem que por aqui não temos ursos, senão… Se a moda pega…
Num certo país escandinavo, ao nascerem patriotas bebês, recebem um número do governo que irá acompanhá-los por toda a vida. Maioria das vezes já se sabe o que vão ser, onde irão estudar no que se formarão e como viverão. Não mais que um numeral do Estado. Não é atoa que eles detêm o maior índice de suicídios do mundo.
Embora criados em ambiente de sabedorias mais que milenares, o mundo árabe arde em conflitos e ódios tribais mais que radicais. Por lá nem Cristo deu jeito; mais acentuou diferenças que perduram até hoje.
No continente africano, leia-se África Negra, a bagunça é grande e lamentavelmente jorra sangue vermelho para tudo que é lado.
Na própria America Latina, em países a nossa volta, o desconforto é grande na convivência entre seus povos de diferentes etnias. Quando brigam é para valer e a discórdia é feia.
Deixando de lado especulações em vidas alheias, voltando a nós, é interessante notar que somos nós mesmos, com nossas organizações e administrações eleitas, mais que turbulências ambientais, que nos matamos, mesmo não sendo masoquistas. Cá porém, (por aqui sempre um, porém) tudo é de fácil e de boa compreensão. Simplesmente nosso país é fartamente abençoado por Deus e muito protegido pela mãe natureza, que nas proporções só nos manda “merdinhas”.
E é bem por isso que nosso ambiente (país) e vida são tão permissivos. Nele, tão diferente de outros, podemos sempre recomeçar. Também ele, constantemente nos traz novas chances, sempre aceitando tudo como uma longa praia de todos pelados e iguais.
Da para perceber que japoneses, esquimós, africanos ou escandinavos aqui criados, ficam mesmo que nem “nóis”. Tudo igual…
Ave Brasil!!!
José Altino
Jornalista diário, escritor, aviador, ex-fundador da União Sindical dos Garimpeiros da Amazônia Legal, ex-membro do Conselho Superior de Minas.