Na minha opinião, os embargos são quase uma declaração de guerra, com os combates sendo travados com as armas do comércio. Numa guerra tradicional, a mensuração dos mortos e feridos é bem mais fácil, nos embargos a contabilidade é quase impossível. O país fica completamente isolado do mundo como conhecemos, impedido de vender no mercado internacional o que produz e o resto do mundo impedido de lhe vender o que necessitam. “Grosso modo” é o que acontece. Felizmente, para o povo, existem países que não obedecem integralmente ao embargo e vendem por “vias transversas” o que a população embargada precisa. Mesmo assim, é praticamente impossível suprir todas as necessidades.
Costumo dizer que o Brasil é “um ponto fora da curva” onde as impossibilidades se concretizam. O professor Thomas Lovejoy, biólogo americano, disse em uma entrevista:
– (…) o problema real é este nacionalismo estúpido e os projetos de desenvolvimento aos quais ele leva. (…) Os brasileiros – e eu sei disso de uma experiência de dezessete anos – pensam que podem desenvolver a Amazônia, que podem tornar-se uma superpotência. Vivem de peito estufado com isso. Portanto, você tem que ser cuidadoso. Você pode ganhá-los com pouco. Deixe-os desenvolver a bauxita e outras coisas, mas reestruture os planos para reduzir a escala dos projetos de desenvolvimento energético alegando razões ambientais.
Venho alertando há muito, em meus artigos, que o dito “mundo ocidental”, além da cobiça sobre a Amazônia, tinha pretensão de nos expurgar do “geocomércio” e nos isolar. Alguns tolos acreditavam que as minhas advertências eram meras “teorias da conspiração”. Entretanto, já começam a se tornar reais e os que acreditaram vêm cumprindo os regramentos internacionais a um custo altíssimo. Poucos puseram em dúvida ou se manifestaram em relação às teses que dão sustentação ao “ambientalismo desvairado” que, como um furacão, vem tentando devastar a nossa produção rural. Vou repetir o que tenho dito “à exaustão”: O que regula o consumo dos produtos do agro é o bolso dos consumidores. Será que ainda não perceberam que a maior parte da população do nosso país é pobre e são justamente eles, os pobres, os nossos maiores consumidores? Não se iludam, esse quadro de pobreza não é privilégio nosso e se repete na maioria dos países do mundo.
Creio que todos devem ficar atentos. A Europa e os EUA se unem para promover o embargo econômico do Brasil, proibindo a aquisição do que produzimos no nosso agro, sob a alegação que provêm de áreas desmatadas. O mais grave ainda é que, na “contramão” de um preceito do Direito, o ônus da prova não caberá a quem alega, mas a quem produz. As legislações restritivas estão prestes a ser aprovadas.
O mais extraordinário no embargo que se avizinha é que será total em relação a produção do agro brasileiro e “meia boca” ou zero para os embargantes. Traduzindo em “miúdos”: não poderemos vender nada para os EUA e UE, em contrapartida, eles poderão vender tudo para nós. Fomos expurgados como vendedores de produtos do agro do “geocomércio” e mantidos como compradores. Seremos transformados em “território de desova”.
Paralelamente, um grupo de empresas, em sua maioria “brasileiras”, irá à COP26 alegando que são “bons meninos” e que vem cumprindo os regramentos internacionais e pretendendo se contrapor às propostas do governo. Está inaugurado um governo paralelo, capitaneado por multinacionais e algumas empresas brasileiras. Será o tão propalado, em livros e filmes, “o fim dos tempos” para o Brasil?
Um amigo fez uma postagem sobre o que está ocorrendo.
“Acho que essas exigências precisam ser muito bem avaliadas por nós, pois a depender de como isso vai funcionar na prática, poderá resultar em destruição do comércio, com o Brasil perdendo participação no mercado. Já vimos isso acontecer com a carne bovina, cujas exigências burocráticas supostamente por razões sanitárias, levaram a uma perda significativa das exportações brasileiras após 2008. Estamos pressionando pela ratificação do acordo Mercosul-UE e corremos o risco de ver ratificado o acordo sem ganhos concretos para o Brasil por conta dessas medidas protecionistas.”
Enquanto isso, diante da notícia internacional de que o governo francês está sendo processado por descumprimento de seu próprio código ambiental e o da UE, outro amigo comenta:
“Como sempre, europeus não cumprem suas próprias metas, embora sejam ótimos a impor regras aos ex-colonizados…Quanto ao agro europeu, agora jogaram tudo (o milagre da produção orgânica, sem defensivos e sem adubos “químicos”) para a partir de 2030. E, de outro lado, estão re-autorizando defensivos defenestrados pelo furor ambientalista. Nada como o ambientalismo para abduzir os reais problemas da humanidade (a fome e a miséria), substituindo esses pela salvação do planeta. Aliás, a França (segundo dados oficiais da própria UE) é um dos países da Europa que sonega informações ao Comissariado sobre o cumprimento das normas ambientais pelos seus agricultores…Imagina se não estivessem quebrados e ainda fossem o “centro do mundo”… Hora de exigirmos reciprocidade em relação ao pseudo compliance europeu.”
Os países de fora do “mundo ocidental” estão assistindo calados as ações conjuntas dos EUA e UE, pois, além de não concordarem e, também, estarem sendo atacados tem todo o interesse na aquisição do que produzimos. Está na hora de pararmos de “choramingar” aos pés do “mundo ocidental” e ampliarmos as negociações de novos mercados.