A chegada de Dario Durigan ao comando do Ministério da Fazenda ocorre em um momento de forte pressão interna e externa sobre a economia brasileira.
O novo ministro da Fazenda tomou posse na sexta-feira (20/3), a menos de 7 meses da eleição e em meio a um cenário internacional adverso. No momento, a principal preocupação da equipe econômica é o impacto da guerra no Oriente Médio sobre o preço do petróleo, que já pressiona os combustíveis e pode contaminar a inflação no Brasil.
A alta do petróleo no mercado internacional tem potencial de elevar os preços do diesel e da gasolina, com efeitos diretos sobre transporte, alimentos e outros itens sensíveis.
O movimento ocorre justamente quando o governo tenta evitar uma deterioração do quadro inflacionário, o que pode dificultar o ambiente de juros e crescimento econômico.
Durigan assume também em um contexto político mais complexo. O período eleitoral tende a reduzir o ritmo do Congresso Nacional e aumentar a resistência a medidas consideradas impopulares, como cortes de gastos ou revisão de benefícios fiscais.
Isso pode dificultar o avanço da agenda econômica em um momento considerado decisivo para a consolidação das contas públicas.
Entre os principais projetos que dependem de articulação política, está a regulamentação da reforma tributária, considerada peça-chave para a implementação do novo sistema a partir de 2027.
A equipe econômica ainda precisa avançar em pontos como a definição de alíquotas, as regras de transição e o chamado imposto seletivo, que incidirá sobre produtos considerados prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.
Saiba o que é o Imposto Seletivo (IS)
- O Imposto Seletivo é um tributo previsto na reforma tributária que incide sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente;
- Tem função regulatória, ou seja, desestimular o consumo desses itens e, ao mesmo tempo, aumentar a arrecadação do governo;
- Deve atingir itens como cigarros, bebidas alcoólicas e produtos poluentes, além de poder incluir outros bens definidos em lei;
- As alíquotas ainda serão definidas pelo governo e pelo Congresso, podendo variar conforme o impacto do produto;
- A definição do que entra no imposto e o tamanho das alíquotas gera disputa política e pressão de setores econômicos.
Além disso, o governo pretende seguir com a revisão de benefícios tributários, uma das apostas para aumentar a arrecadação e reduzir distorções no sistema. A medida, no entanto, enfrenta resistência de setores econômicos e parlamentares, o que deve exigir negociação intensa por parte da Fazenda.
No campo fiscal, o desafio é cumprir a meta de resultado primário dentro das regras do novo arcabouço fiscal. Para 2026, a meta é de superávit de cerca de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), com margem de tolerância, mas projeções indicam dificuldades para atingir o objetivo diante do crescimento das despesas obrigatórias e da limitação de receitas.
- Superavit é quando as receitas são maiores do que as despesas; déficit é quando acontece o contrário.
Durigan assume a pasta com um orçamento pressionado por gastos obrigatórios, o que reduz o espaço para investimentos e amplia a necessidade de medidas de ajuste. Ao mesmo tempo, o governo tenta evitar políticas que possam afetar a atividade econômica em um ano eleitoral, o que aumenta o grau de dificuldade da condução fiscal.
Outro ponto de atenção é o ambiente internacional, que adiciona incerteza à política econômica. A volatilidade do petróleo, a trajetória dos juros globais e os riscos geopolíticos podem influenciar decisões do Banco Central (BC) sobre a taxa de juros, afetando crédito, consumo e investimentos no país.
Além da agenda fiscal e tributária, a equipe econômica terá de avançar em pautas estruturais, como a regulação de grandes plataformas digitais, medidas microeconômicas e projetos voltados ao aumento da produtividade.
A ampliação do crédito e a atração de investimentos, especialmente em tecnologia e infraestrutura, também estão entre as prioridades.
Ao assumir o cargo, Durigan afirmou que a prioridade dele será conectar os resultados da macroeconomia com efeitos concretos na vida da população, com foco na redução de desigualdades e no aumento da eficiência do gasto público.
“A economia, ela faz sentido máximo quando a gente percebe os resultados na vida das pessoas, na vida das famílias brasileiras, na vida de quem trabalha, de quem colabora de fato e faz a economia brasileira crescer e ser forte. Esse é meu compromisso central”, disse.
O cenário, no entanto, indica que o novo ministro terá de equilibrar pressões inflacionárias, restrições fiscais e um ambiente político mais desafiador para manter a trajetória da política econômica nos próximos meses.
Fonte: Metrópoles

