Familiares do salva-vidas Guilherme da Guerra Domingos, de 24 anos, afirmam que o parque aquático Wet’n Wild, no interior de São Paulo, é diretamente responsável pela morte do jovem, na última terça-feira (13/1). O jovem morreu afogado em uma das atrações do estabelecimento após mergulhar para resgatar a aliança de um visitante.
“Primeiro, relataram mal súbito. Mentira. Na verdade, ele foi sugado. A bomba impediu que ele subisse até a superfície. Guilherme morreu devido à negligência do parque. Foi o parque quem abriu para visitantes uma atração com ralo sem tampa. Foi o parque quem disponibilizou a piscina mesmo com a bomba ligada”, afirmou um familiar — que prefere não se identificar — ao Metrópoles.
Salva-vidas afogado em parque
- Inicialmente, foi informado que o salva-vidas Guilherme da Guerra Domingos morreu após sofrer um mal súbito durante uma intervenção no brinquedo.
- O boletim de ocorrência, no entanto, indica que o profissional foi sugado por um ralo e ficou preso.
- O B.O. — registrado na Polícia Civil como morte suspeita — informa ainda que os colegas de Guilherme perceberam o ocorrido e tentaram resgatar a vítima.
- Após o salva-vidas ser retirado da água e receber os primeiros socorros, ele foi encaminhado pelo Samu ao Hospital Nossa Senhora Aparecida, onde foi constatado o óbito por afogamento.
Ainda segundo familiares, a sucção da bomba era tão forte que Guilherme ficou com um grande hematoma escuro na lateral do corpo. Ele teria ficado cerca de 15 minutos submerso, após outros socorristas não conseguirem aliviar a pressão sobre o corpo.
O profissional trabalhou no parque por cerca de dois anos e havia sido promovido a chefe dos salva-vidas em outubro de 2025. Ele foi descrito como alguém amável, alegre e carinhoso, que amava o que fazia.
O que diz o parque aquático
O Metrópoles questionou o Wet’n Wild sobre a acusação de negligência feita por familiares do salva-vidas. O parque informou que segue colaborando com as autoridades no esclarecimento do trágico incidente ocorrido nesta terça-feira (13/1). “O parque tem como prioridade máxima garantir a segurança de visitantes e funcionários, por meio de critérios rígidos e vistorias que são realizadas regularmente”, diz o texto.
Ainda segundo a empresa, a atração Water Bomb, onde ocorreu o fato, funciona há 17 anos, sem qualquer registro de ocorrências. O sistema hidráulico é composto por drenos laterais, localizados em direção oposta à saída dos toboáguas, e de onde saem os visitantes da piscina.
Após o incidente, funcionários do parque foram até o Hospital Municipal Nossa Senhora Aparecida para acompanhar a situação e prestar apoio à família do colaborador envolvido. /’O Wet’n’Wild permanece em contato com os familiares e segue à disposição para fornecer suporte.”
“O Wet’n’Wild lamenta profundamente o ocorrido e reitera seu compromisso inabalável com a segurança e bem-estar de clientes e prestadores de serviço”, acrescentou.
Em outra nota, enviada na quarta-feira (14/1), o parque aquático também destacou pontos como treinamento dos salva-vidas e licenças de funcionamento.
“Ressaltamos que os salva-vidas do Wet’n Wild são certificados por uma equipe norte-americana, passam por treinamentos e reciclagens mensais, que incluem procedimentos de segurança, resgate aquático e atendimento a emergências. Também esclarecemos que o parque possui todas as licenças necessárias para operar e está comprometido com a segurança de visitantes e funcionários. Neste momento, a empresa está em contato com as autoridades e colaborando com as apurações em curso.”
Antes, na primeira manifestação sobre o caso, o parque confirmou a morte do colaborador, que teria apresentado “uma intercorrência após realizar uma intervenção em uma das atrações”.
De acordo com o comunicado, a situação foi rapidamente identificada por outros profissionais, que iniciaram imediatamente os procedimentos de resgate, seguindo os protocolos de segurança estabelecidos. Guilherme recebeu atendimento médico no local e foi encaminhado ao hospital mais próximo, onde o óbito foi confirmado pela equipe médica.
O Wet’n Wild informou ainda que, em respeito ao funcionário e aos demais colaboradores, as atividades do parque foram suspensas no período da tarde. Nesta quarta, o parque também permaneceu fechado, conforme indicado no site oficial.
Fonte: Metrópoles

