Na última quinta-feira, 21, o brasileiro Ricardo César Guedes, de 49 anos, se declarou culpado de ter obtido documentos no nome de um americano que morreu em 1979 na justiça norte-americana. Guedes foi processado pela Justiça do estado do Texas.
Porém, como ele já ficou preso por quase sete meses, agora ele será libertado e monitorado por um ano. Após este período, provavelmente ele será deportado.
Entenda o caso
De acordo com o jornal ‘Houston Chronicle’, Guedes, nascido em São Paulo, conseguiu documentos, emprego, empréstimo, uma casa, um carro BMW e um certificado de casamento usando o nome de William Ericson Ladd. Ao todo, a farsa durou mais de 20 anos.
Durante o andamento do caso, ao avaliar que Guedes trabalhava como comissário de bordo, a Justiça considerou que ele poderia fugir, e não permitiu que ele aguardasse o julgamento em liberdade.
O jornal conta que o brasileiro disse à Justiça que sente muito pelo crime que cometeu, e que ele sabia que o que ele fazia não era certo. Guedes afirmou também que não quis prejudicar ninguém, mas, sim, tentar um espaço no mercado de trabalho.
O juiz responsável pelo caso afirmou que acredita em Guedes, que teria mostrado um verdadeiro arrependimento: “Um bom homem que basicamente cometeu um erro muito trágico para perseguir seu sonho”, descreveu o magistrado George Hanks Jr.
Já a defensora pública que representou o brasileiro, Victoria Gilcrease-Garcia, foi a responsável por contar a história de Guedes. Ela disse que ele é filho único de uma família pobre e que seus pais tinham padarias que faliram.
O jovem sofreu de depressão e de transtorno bipolar por se sentir alienado como um jovem gay nos anos 1980. A defensora afirmou também que ele se empenhou em aprender línguas (segundo ela, ele fala inglês, espanhol, alemão, holandês e árabe), mas ainda assim, foi rejeitado pelas companhias aéreas brasileiras.
Guedes disse que não conseguiu emprego como comissário de bordo no Brasil por ser muito velho e por não ter uma beleza clássica. Ele disse que já nos EUA, percebeu que o setor aéreo aceita mais homens gays. Ele entrou no país com um visto de turista e ficou mais tempo do que a autorização permitia e começou a trabalhar em uma pizzaria. Nesse local, um supervisor ofereceu ajuda com os documentos, neste momento ele começou a usar os documentos de William Ericson Ladd.
Porém, as autoridades começaram a suspeitar de Guedes quando ele foi renovar o passaporte (os documentos tinham inconsistências; por exemplo, ele teria obtido o registro público mais comum nos EUA, o de seguridade social, apenas aos 22 anos).

