Por ser hoje…sabem aqueles dias que se está com esperanças perdidas e saco atravessado? Pois é, é hoje… Todos sempre imaginam que apenas mulheres tem aqueles dias, acreditando com machismo que aos homens todos os dias sejam iguais. Todo mundo enganado. Sou prova disso…até a paciência tem vontade de me abandonar.
Sempre tive um orgulho excepcional em ser brasileiro. Desde a década dos sessentas (60) já andava mundo afora 2 outros países e culturas, o que se pode fazer com relativa facilidade, suficiente apenas que se tenha sempre agendado de conhecer os mercados supridores dos lugares visitados. Neles desaparecem fachadas, máscaras, fantasias, sendo permitido se ver nua e cruamente, não só comportamento, mas as raízes naturais do povo visitado. Aconselho a quem não curte, passar a fazê-lo.
Uma vez, já contei isso, mas conto de novo, perdido em Portugal, companheiros jornalistas ensejaram que fossemos a Coimbra onde uma universitária defenderia sua tese de formanda dissertando sobre brasileiros.
Na idade de então, achei até uma piada, ou pelo menos hilário que uma moçoila portuguesa, tivesse passado por aqui dois anos, para só então regressar ao velho torrão descobridor do alvo de seus estudos e dizer por lá que povo ele abrigava por cá.
Achando até graça, cheguei a brincar com os colegas, se for falar mal da gente, que ela se lembre que não fomos os culpados e sim o Cabral. Quem mandou ele nos descobrir, afinal ele ia para as Indias, fazer o que aqui? E pior, mandou até escrever ao Rei, que a terra era boa e “em si nela plantando tudo dá”. Assim, estão plantando até hoje e tudo também dando, e como!!!
Mas, estando em Coimbra ouvi coisas que concordei numa boa. A futura diplomada disse mesmo, que éramos um dos poucos países do mundo onde o povo se colocava acima dos interesses nacionais. O povo, em primeiro lugar, depois a viúva Nação, que se ajeitasse.
Engraçado, que não sei se era por ser mais novo ou um tanto irresponsável, mas gostei por um lado positivo nos creditando liberdades que outros não possuíam, como ela afirmava. Só que para idiota faltei pouco.
Hoje, recontando esta passagem de tempo, fico conjecturando o que diria agora aquela responsável cidadã portuguesa? No mínimo aquela frase que menino detesta ouvir da mãe: “não falei, não falei, olha o que deu”.
Viramos mesmo em um circo, não pilotado por palhaços, mas por incultos irresponsáveis e pretensos domadores.
Houve um tempo que cultivei muito respeito pelo partido dos Trabalhadores. Escrevi em jornais minhas admirações por ele, seus fundadores e por que não, sua gente. Sem jamais estar em suas fileiras, a muitos personagens seus fui aliado em pleitos políticos eleitorais, como também dentre eles tenho e venero muitas amizades até os presentes dias.
Aqueles que não me devotam boa simpatia, chegam a dizer que sou um tanto esquerdista, mas nada, pelo contrário, penso que nessa tola disputa, a maioria nem saiba o que significa esquerda/direita. Nem sua história. Entretanto posso garantir que os fundadores do mencionado partido não só sabiam, como acreditaram e construíram em cima dessa imaginação um sonho honesto.
Precisaram de um promissor e transparente líder, achando no instante, o existente acreditado como bom. E com ele se apresentaram às disputas por ideais. Ideais estes algo diferentes dos meus, mas respeitáveis.
Com ele chegaram ao poder, no primeiro exercício, como inovador, e no segundo mandato, mantendo estabilidade e prudência. Porém, aquela “acreditada e transparente liderança” fugiu inteiramente da ideologia implantada pelos planejadores das metas inovadoras. Sobre seu comportamento, perderam o controle. E este, valendo mais que a agremiação que o cultivou e construiu, exigiu com solitário domínio, quem o haveria de suceder, para após devolver-lhe o cetro.
Apenas muito se sabe, que os efeitos colaterais do personalismo político são bastante nefastos, permutando não só os objetivos, mas até as diretivas socioeconômicas nacionais desejadas. E como lá trás disse a madame portuguesa, tudo segue a uma vala comum ao assumir um populismo bem destruidor das necessárias qualidades em comando da sociedade, perante os interesses maiores da Nação.
Com ele não só qualidades se ausentam, mas até a vergonha vai se embora. Com afagos, simpatias, cargos em poderes e descaradamente procedendo a compra de vontades e leis. O populismo se alimenta e arregimenta por e pelos clamores populares, o que nem sempre dá muito certo, haja visto exemplo da antiguidade, onde já diziam: “nem sempre o povo é o melhor juiz de seus líderes”.
Adotadas modalidades popularescas para busca de simpatias em disputas políticas, portas se tornam abertas para vícios perniciosos e nocivos à Nação. Ao se ascender aos poderes por tais meios, também talentos e qualidades deixam de existir dando espaço ao poder bem remunerado. E qualquer um torna-se muita coisa.
Exemplos são muitos e alguns próximos de nós, como os vizinhos “Hermanos”, antes e depois de populismo, como diziam eles próprios com orgulho besta, uma Europa latina, para logo após ao passaram a cultos pessoais, irem próximos a uma Biafra bem africana. Mas, nós como bons brasileiros temos o velho costume em que exemplos alheios nada valem.
Nestes dois anos a se completarem de mandato populista, tornou-se clara a iniquidade política e administrativa do eleito e dos indicados a cargos executivos. Faltam lhes mesmo saber e qualificação de cultura administrativa para gerir um país como o nosso, que não mais é nem sombra do que foi no passado. Este, não só cresceu como muito avançou em economia, prosperidade e operosidade. Outro mundão bem diferente daquele gigante deitado em berço “esplendido” do passado. Ele não mais aceita rígidos comandos para ganhos de vontades e credos apenas pessoais.
Hoje exige ordenamento e só, a começar pela restruturação jurídica com restabelecimento de suas reais garantias, nunca abusando da máxima, de que ordem de juiz não se discute, cumpre-se. E como boa medida, que seguindo exemplos de outras Nações que lhes retirem a televisão, para que jamais, como hoje o fazem, joguem para a torcida.
A semana realmente foi movimentada e nos levaram a aqueles dias. Até índios, mais que na arquibancada, em desvairada torcida pelas ruas da capital, bem instruídos, pugnavam para novo entendimento do que bem escrito está em nossa Constituição.
Com melhor anseio a necessária racionalidade, que permitam retorno a nossos legisladores as tarefas para construções de leis, e sem necessidade das corrompidas emendas. Não só aos índios, como à todos, que se lhes deem sempre tudo aquilo de direitos válidos.
Como caçador de bons tempos e progresso da Nação, lamento reconhecer que nessa pecaminosa administração, centralizadora em excesso, estejam todos perdidos e sem humildade para aprenderem o que melhor fazer. No exercício de paga favores pela militância, o empreguismo em retribuição, por ignorância, tem gerado más ações e decisões.
O melhor e único apelo que resta a fazer aqueles que sonharam e com eles os brasileiros, é clamar ao Senhor, dizendo em oração: “Pai, os perdoai, eles não sabem o que fazem”.
Incrédulo e nos tais dias, rezo a que, além de esperanças, não perca a benfazeja virtude da paciência.
BH/Macapá/28/04/2024
Jose Altino Machado
Brincando com sonhos
